Vestido

Eu pretendia sair hoje a noite, e fui separar a roupa que queria usar na balada. Mas… meu vestido preto soltinho não estava aqui no meu apartamento. Minha mãe o levou para a casa dos meus pais.

Eu sei que é infantilidade ficar brava por uma coisa tão boba, mas eu fiquei. Eu queria estar bonita na festa, para que as garotas se sentissem atraídas por mim (é uma balada LGBT 🏳️‍🌈).

Que merda! Quero meu vestido preto!

Fui ao supermercado e comprei um queijo e uma garrafa de vinho. Comi o queijo inteiro com torradinhas light. Saí da dieta. Não podia ter comido nem essas torradinhas. Deve ter dado quase umas mil calorias. Pensei em vomitar a comida, mas não fiz isso.

Agora acabei de abrir a garrafa de vinho e bebi um gole. Estou me sentindo tão bem com o vinho. Será que estou virando uma alcoólatra?

Achei outro vestido para usar. É colorido (o tema da festa é preto e branco, mas o lado bom é que serei a diferente) e mostra mais os meus peitos. Ótimo.

 

Beijos.

SS.

IMG_1268.JPG

Sexta-feira, 26 de março

Ontem foi um dia bom. Saí de casa perto da hora do almoço e fui até a minha antiga Universidade tirar fotos analógicas. Quero terminar os filmes logo para poder revelá-los.

Antes de ir para Noronha, vou precisar comprar muitos filmes. Lá na ilha não deve vender esse tipo de coisa, e não posso arriscar ficar sem nenhum em um lugar tão lindo.

Já decidi quais câmeras vou levar para a ilha: a minha pentax k1000, a Rollei 35 e a digital. Gostaria de comprar uma Go Pro para poder filmar o mergulho e os peixinhos, mas ela é meio cara… não sei se vai ser possível.

 

Não estou de bom humor hoje. Meu apartamento está uma bagunça e isso me deixa irritada. Ao mesmo tempo, não me sinto com ânimo para arrumar as coisas.

Hoje eu tenho academia, aula de alongamento e aula de dança contemporânea (sou bem ruim na dança, comecei há menos de dois meses). Fico cansada só de pensar.

A aula de dança termina às dez horas da noite. Se eu estiver animada, vou tomar banho e ir para a balada. Lembram que eu tentei ir sexta-feira passada mas não consegui, porque acabei dormindo? Então, dessa vez eu já sei que começa meia-noite… hahahaaa

Vou de preto, para variar. Preciso separar minha roupa, porque dessa vez o tempo vai ser apertado.

 

Beijos,

SS.

Quarta-feira, 24 de maio

Estou péssima. Não consegui dormir a noite. Estou triste sem motivo e meus pensamentos estão confusos.

Não fui à academia hoje. Não conseguiria ficar pulando de um lado para o outro e me exercitanto com esse grau de tristeza. Só quero ficar imóvel e me fundir ao ambiente, de tal forma que eu não exista mais, me tornando apenas parte do cenário.

Estou sentindo muita fome, mas eu resisti a comer coisas fora da minha dieta. Não sei bem por quê estou resistindo. Tudo me parece tão inútil. Acho que uma parte saudável de mim quer evitar arrependimentos futuros. Eu poderia comer e depois vomitar a comida, já fiz isso antes… mas é tão desagradável… é realmente horrível…

Eatou repensando a viagem para Noronha. Estou triste demais. Queria apenas ficar em casa. Não acho que vou dar conta de ir até lá sozinha. Mas agora eu já assinei o contrato e a viagem foi paga. Meu deus. No que eu fui me meter?

Não tomei meus remédios hoje. Não consegui.

Estou desenhando mal. Isso me deixa arrasada. Desaprendi a desenhar sozinha, sem olhar em alguma referência.

Não tenho a menor ideia do que eu quero fazer da minha vida. Voltar para a faculdade de medicina? Fazer artes visuais? Morrer?

 

IMG_1232.JPG

Estou desenhando mal

Terça-feira, 23 de outubro – a merda da terapia

Hoje foi dia de terapia individual e de terapia de família. Meu deus. Eu não aguento mais. Estou exausta de tanto fazer terapia. A qualquer momento vou explodir.

Estou fazendo duas horas de consulta, duas horas de terapia de família e uma hora de terapia individual por semana há quase um ano. E só. Minha vida se resume a fazer terapia.

Mal posso esperar pelos dias em que a minha médica vai viajar no feriado – e eu vou aproveitar para viajar também. Vou ficar livre de São Paulo!! Vou ficar livre de uber me levando de um lado para o outro!! Vou ficar livre de salas de espera!!

Vai ser maravilhoso: só tartarugas, golfinhos, conchinhas, areia branca, pôr-do-sol, muitas fotos, caipirinhas de morango… Fernando de Noronha, o paraíso!

(Desnecessário dizer que as minhas expectativas para essa viagem estão altas, não é?)

Ah! Vou fazer o meu batismo de mergulho lá! Ou seja, o meu primeiro mergulho com cilindro!

E tem várias trilhas pela ilha! Ainda bem que eu tenho um tênis adequado para trilhas em locais úmidos. Comprei em uma loja chamada Pé na Trilha, em São Paulo. Acredito que ele vá ser útil. Só preciso de uma mochila e de um snorkel…

Vou fazer a lista de coisas para levar AGORA. Quem sabe isso ajude a chateação com o excesso de terapia passar.

 

Beijos,

SS.

 

Sinais

Saber entender o que não é dito em uma conversa é tão ou mais importante do que entender o conteúdo dela de fato. É por meio do não dito que acontecem todos os joguinhos sociais… E eu sou a maior tapada do mundo para isso: é capaz de alguém me dizer “passa lá em casa qualquer dia desses” e eu realmente aparecer na casa da pessoa.

Sofri com isso a vida inteira. Tinha me esquecido o eu quanto era socialmente lesada, já que ando bem afastada de qualquer convívio social, mas voltei a me debater com essa dificuldade porque estou tentando fazer uma nova amizade. E aí a coisa fica complexa.

Eu não sei quantas vezes é natural chamar alguém para sair – e com qual intervalo de tempo. A partir de quantas desculpas eu tenho que entender que a pessoa está me dispensando e não vai sair nunca comigo? A partir de quando eu me torno a chata insistente? Sou cega para os sinais sociais.

Minha psiquiatra leu a nossa conversa no messenger. Segundo ela, estava bem adequado. Mas quando eu disse que estava pensando em chamar essa pessoa para ir até a minha cidade passar alguns dias por lá, minha psiquiatra disse que era demais, considerando que ainda nem nos vimos pessoalmente. Que pena. Seria tão divertido. Poderíamos até pegar um ônibus e ir para Foz do Iguaçu ou para o Rio de Janeiro juntas. BFF’s. ❤

Caramba. Eu sou muito carente e obcecada. Eu queria não ser assim, mas não consigo evitar.

 

Beijos,

 

SS.

 

IMG_0220

Carência

Paixão platônica

Estou vidrada em uma pessoa. Mas tão vidrada que está até difícil arranjar assunto para escrever aqui porque não consigo pensar em outra coisa.

E eu sou bem socialmente inapta. Então morro de medo de estar perturbando a pessoa cada vez que falo com ela, ou de ter dito a coisa errada… é uma paranoia sem fim. Por isso pedi para uma amiga K. analisar a nossa conversa no messenger do facebook. Espero que a interpretação da K. seja positiva.

É, gente. Não adianta. Hoje não vou conseguir evoluir muito nos assuntos. Por mim continuaria falando dessa pessoa especial e dos cenários que criei para nós duas dentro de minha cabeça.

IMG_1192

 

Beijos,

 

SS.

Estou ficando velha

Ontem eu fiquei em casa sem fazer nada a manhã inteira. Estava frio. Meu nariz doía por causa do piercing. Tinha academia mais tarde (argh!).

Liguei para o meu amigo uma vez. Duas vezes. Três vezes. Muitas vezes.

Não me levem a mal. Eu estava me sentindo muito sozinha e entediada. Eu nem sabia o que eu queria falar com ele… nada, provavelmente. Eu só queria atenção.

Quando ele finalmente atendeu, adivinhem? Ele foi grosso. Não é de se surpreender, o coitado estava dormindo. Mas e daí? Eu bloqueei o meu amigo na mesma hora.

Impulsionada pela raiva, eu decidi que iria sair naquela noite. Casa de swing ou balada gay? Balada gay.

Coloquei um vestido preto soltinho, bota de spikes, batom vermelho, lentes de contato… Pronta para a festa. Olho no relógio: oito horas da noite. Vou verificar que horas a balada começa no computador: meia-noite. Mer-da.

Escrevi um texto enorme no blog. Assisti The L Word (série lésbica). Fiz as pazes com o meu amigo. Dez e vinte da noite.

Barulho de chuva ensurdecedor. Frio delicioso para dormir. Onze horas da noite. Tiro a lente, lavo a maquiagem do rosto, apago a luz do meu quarto, deito e durmo.

 

Estou ficando velha.

 

Beijos,

SS.

 

R1-00136-0023

Foto analógica – Rollei 35

O que é o transtorno de personalidade borderline? (TPB)

Existem vários tipos de personalidade dentro do padrão da “normalidade” (para fins de melhor compreensão, vamos dizer que o normal é apenas o mais comum). O borderline é um conjunto de traços que saem um bastante fora desse padrão e causam prejuízo na vida da pessoa.

Como o TPB é um transtorno que afeta a  personalidade, não é algo que você possa adquirir como um resfriado ou um câncer. A personalidade de uma pessoa é uma padrão de comportamento que se inicia no final adolescência ou início da vida adulta e a acompanha por toda a vida – por isso, essa é a época em que o TPB costuma se apresentar.

É muito comum que o TPB esteja associado a outras condições psiquiátricas, por exemplo, depressão.

Para dar uma ideia básica dos sintomas do TPB, vou colocar aqui os critérios do DSM IV (Manual diagnóstico e estatístico de psiquiatria). Cinco ou mais critérios, quando presentes de forma persistente, inflexível e causando prejuízo na vida da pessoa fecham o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline. LEMBRANDO QUE APENAS UM MÉDICO ESTÁ AUTORIZADO A DAR ESTE DIAGNÓSTICO, PREFERENCIALMENTE UM PSIQUIATRA.

1) Esforços frenéticos de evitar um abandono real ou imaginário. (não considerar comportamento suicida ou automutilante – coberto no critério 5)

2) Padrão de relacionamentos instáveis e intensos, oscilando entre extremos de idealização e desvalorização.

3) Distúrbio da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self.

4) Impulsividade em pelo menos duas áreas prejudiciais a si mesmo, como na sexualidade, em gastos financeiros, na direção, no abuso de substancias, comer impulsivamente etc. Prejudicam a si próprios quando um objetivo está quase sendo alcançado. (não considerar comportamento suicida ou automutilante – coberto no critério 5)

5) Ameças, comportamentos ou gestos suicidas ou auto mutilante.

6) Instabilidade afetiva devido a reatividade do humor.

7) Sentimento crônico de vazio.

8) Raiva intensa e inadequada ou dificuldade em controlá-la.

9) Situações de estresse devido a um abandono real ou imaginado: ideação paranóide, sintomas dissociativos e psicóticos transitório.

 

border

jornal.usp.br

Quem possui TPB costuma ter visões polarizadas a respeito do outro e de si. O mundo é dividido entre o apego irrestrito e o abandono, o prazer e o intolerável. Por exemplo, eles oscilam entre sentirem-se massacrados e incapacitados de reagir a serem os justiceiros do mundo.

São impulsivos e essa característica fica evidente pela quantidade de prejuízos que traz. Por exemplo, após uma frustração, são comuns atos impulsivos, como tentativas de suicídio, auto-mutilação (cortes, queimaduras e contusões), abuso de substâncias, colocar-se em risco, como dirigir sob ação de álcool.

O tratamento do TPB requer vários medicamentos e psicoterapia. Além disso, a família do paciente precisa ser envolvida, geralmente por meio de terapia de família.

 

Eu recomendo que assistam esta entrevista, caso queiram se informar mais:

Erlei Sassi, psiquiatra e psicoterapeuta: “O transtorno borderline tem cura. Os sintomas podem ser controlados até desaparecerem”

 

 

Fontes:

  • Tratado de Clínica Médica, Antônio Carlos Lopes, 2ª edição.

Sexta-feira, 19 de maio – frio e obsessões

Está frio e chovendo por aqui. Que vontade de ficar embaixo da minha coberta o dia todo. Infelizmente não posso, porque hoje é o meu dia com mais compromissos: academia, aula de alongamento e aula de dança.

Já estou triste por ter que sair de casa.

 

Talvez eu desenho um pouco durante a tarde, antes de ir para a academia. Mas, para ser sincera, estou bem frustrada com os meus desenhos. Eles não ficam bons se não tenho uma referência.

Eu não sei se me falta talento ou prática. Talvez um pouco dos dois. Talvez talento não exista, e tudo seja questão de prática.

Para piorar, estou apaixonada por uma artista (com a qual só troquei algumas palavras pela internet). Sim, apaixonada de verdade. E quero desenhar tão bem como ela.

Não consigo parar de pensar nessa artista e nas pinturas dela. Estou totalmente obcecada.

 

Beijos,

SS.

Coloquei um piercing

Fui à academia, fiz um circuito de trinta minutos de exercício (é estafante, acreditem em mim) e, saindo de lá, decidi ir direto para o estúdio de tatuagens e piercings. Eu não planejava colocar um, só perguntar como funcionava, qual o preço… (mas sabia que ia acabar acontecendo)

Cheguei no lugar e a atendente estava ocupada com um cara que queria colocar um piercing no mamilo. Enquanto eu esperava a minha vez, ele colocou o dele e gritou de dor – não foi um bom prenúncio.

Quando vi que o lugar era ok, que o preço não era absurdo e que a dor parecia suportável, resolvi colocar o piercing naquele momento mesmo. Porém, fiquei muito indecisa entre os modelos. Eu queria furar o septo, e para isto há três tipos de piercing: indiano, argola e touro.

O indiano eu sabia que não queria. Demorei uns dez minutos para escolher entre a argola e o touro. Eu decidi que a argola é mais bonita, mas como não vou poder tirar o piercing até cicatrizar, coloquei o modelo touro, porque dá para esconder ele empurrando um pouco para trás. Melhor assim. Não sabia se ia me adaptar a essa novidade bem no meio do meu rosto.

Sentei na maca.

O cara do estúdio pegou uma agulha.

Eu pedi: “me distraia, por favor”.

Ele respondeu: “então vamos cantar uma musiquinha…”

PAF.

A agulha trespassou meu septo.

A distração funcionou. Não doeu nada.

Agora está doendo um pouco, mas na hora foi indolor. No máximo senti uma pequena pressão.

Saí de lá muito contente com o meu primeiríssimo piercing.

 

Beijos,

SS.