Terça-feira, 30 de maio

Eu escrevi os últimos posts do celular, e é horrível. Sinto que eles ficaram muito mal escritos. Me desculpem, leitores que eu nem sei se tenho.

Ontem, na consulta com minha médica, nós duas vimos todos os critérios para transtorno de personalidade borderline e eu fecho sete de nove. Eu, felizmente, não tenho sentimentos crônicos de vazio e nem sintomas psicóticos ou dissociativos.

Hoje foi dia de terapia individual. Contei sobre um episódio em que eu estava bêbada e uma pessoa transou comigo sem meu consentimento e sem preservativo. Eu mereci? Não sei. Não sei de nada.

Daqui a pouco é o horário da terapia de família. Espero que os meus pais não toquem em nenhum assunto difícil demais.

Ontem conversei com uma pessoa pelo messenger. Acho que estou fazendo uma nova amizade! Fazer amigos é difícil para mim…

Mais um texto mal escrito. Estou escrevendo do celular de novo. Me perdoem!

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Olympus Trip 35, minha antiga universidade

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Personalidade fluida

Eu não sei quem eu sou. Eu existo apenas com base no outro. Isso é um dos critérios diagnósticos do transtorno de personalidade borderline: instabilidade do self.

É horrível viver sem ter gostos definidos, ou uma personalidade própria. No momento estou sofrendo com isso porque não tenho a menor ideia do que quero fazer da minha vida.

Há alguns anos eu admirava muito o meu professor de cardiologia e queria ser cirurgiã cardíaca. Agora essa referência desapareceu. Surgiu outra: a de uma pintora. Não consigo mais estudar medicina. Só penso nessa artista e em como eu gostaria de ser uma artista também.

Isso tudo é mais do que apenas se inspirar, é mais do que ter referências… Se eu olho para dentro de mim e procuro quais são os meus gostos, a minha personalidade… eu só encontro o vazio. Deus do céu, eu fiz um piercing no septo para ficar parecida com a tal pintora! Eu fico tão obcecada com uma pessoa que quero ser ela…

Depressão e fotografia analógica

Julho de 2016. Eu havia trancado o meu curso de medicina em uma faculdade estadual, havia perdido os meus amigos, minha dignidade e a esperança de me reerguer. Havia recém começado um tratamento em São Paulo para depressão e transtorno de personalidade borderline por pura insistência dos meus pais – eu mesma já tinha desistido de lutar.

Eu não tinha permissão para ficar sozinha, pois havia tentado me matar antes de começar o tratamento com os especialistas da USP. Minha mãe deveria ficar o tempo todo comigo e me acompanhar quando eu quisesse sair de casa. Mas eu não queria sair de casa. Eu queria ficar de pijama na minha cama o dia inteiro, dormindo e me fingindo de morta.

Eu comecei a dar os meus objetos pessoais mais queridos para meus familiares. Comecei a me desfazer das minha coisas. Isso é considerado um mal sinal, para os não entendidos de psiquiatria.

Depois de semanas, talvez meses de desapego e desinteresse pelo mundo, eu descubro um site, o www.queimandofilme.com. Foi o suficiente. Uma nova luz começou a brotar dentro de mim.

Pedi para meus pais as câmeras antigas que eles tinham em casa. Uma saboneteira e uma Olympus Trip 35. Coloquei filme nelas. Saí de casa. Deixa eu repetir: saí de casa. Foi quase um milagre. Visitei um antiquário, um foto, o parque da cidade (tirei fotos de macaquinhos, de árvores…).

O interesse não parou por aí. Fiz um amigo no grupo do Facebook do Queimando o Filme ao comprar uma Lomo… que por sinal, foi extraviada pelo correio. Mas meu amigo é tão fofo que me deu uma Pentax K1000 de presente, para eu não ficar de mãos abanando, e  ela é a câmera mais perfeita em que eu já usei. É minha companheira para toda hora.

Nesse meio tempo, comprei uma Rollei 35 (elegante e fina), uma olympus pen EF (divertida!), uma instax (foto instantânea a um custo acessível) e uma Holga 135 (linda, toda branca, me entrega fotos super saturadas). Ah! E de vez em quando pego a polaroid da minha irmã emprestada.

A fotografia me devolveu ao mundo.

 

Beijos.

 

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Pentax K1000, filme Revolog

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Olympus Trip 35

 

 

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Holga 135, tripla exposição

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Pentax K1000

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Pentax K1000, filme Revolog

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Pentax K1000, filme Revolog

Fim?

Estou seriamente pensando em parar de escrever aqui.

Eu achava que gostava de ter transtorno de personalidade borderline, que isso me fazia especial ou alguma merda do tipo.

Mentira.

Só fez com que eu perdesse minha faculdade, amigos… fez com que eu fosse abusada, passasse por situações nojentas.

Chega de glaumourizar a merda.

Vestido

Eu pretendia sair hoje a noite, e fui separar a roupa que queria usar na balada. Mas… meu vestido preto soltinho não estava aqui no meu apartamento. Minha mãe o levou para a casa dos meus pais.

Eu sei que é infantilidade ficar brava por uma coisa tão boba, mas eu fiquei. Eu queria estar bonita na festa, para que as garotas se sentissem atraídas por mim (é uma balada LGBT 🏳️‍🌈).

Que merda! Quero meu vestido preto!

Fui ao supermercado e comprei um queijo e uma garrafa de vinho. Comi o queijo inteiro com torradinhas light. Saí da dieta. Não podia ter comido nem essas torradinhas. Deve ter dado quase umas mil calorias. Pensei em vomitar a comida, mas não fiz isso.

Agora acabei de abrir a garrafa de vinho e bebi um gole. Estou me sentindo tão bem com o vinho. Será que estou virando uma alcoólatra?

Achei outro vestido para usar. É colorido (o tema da festa é preto e branco, mas o lado bom é que serei a diferente) e mostra mais os meus peitos. Ótimo.

 

Beijos.

SS.

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Sexta-feira, 26 de março

Ontem foi um dia bom. Saí de casa perto da hora do almoço e fui até a minha antiga Universidade tirar fotos analógicas. Quero terminar os filmes logo para poder revelá-los.

Antes de ir para Noronha, vou precisar comprar muitos filmes. Lá na ilha não deve vender esse tipo de coisa, e não posso arriscar ficar sem nenhum em um lugar tão lindo.

Já decidi quais câmeras vou levar para a ilha: a minha pentax k1000, a Rollei 35 e a digital. Gostaria de comprar uma Go Pro para poder filmar o mergulho e os peixinhos, mas ela é meio cara… não sei se vai ser possível.

 

Não estou de bom humor hoje. Meu apartamento está uma bagunça e isso me deixa irritada. Ao mesmo tempo, não me sinto com ânimo para arrumar as coisas.

Hoje eu tenho academia, aula de alongamento e aula de dança contemporânea (sou bem ruim na dança, comecei há menos de dois meses). Fico cansada só de pensar.

A aula de dança termina às dez horas da noite. Se eu estiver animada, vou tomar banho e ir para a balada. Lembram que eu tentei ir sexta-feira passada mas não consegui, porque acabei dormindo? Então, dessa vez eu já sei que começa meia-noite… hahahaaa

Vou de preto, para variar. Preciso separar minha roupa, porque dessa vez o tempo vai ser apertado.

 

Beijos,

SS.

Quarta-feira, 24 de maio

Estou péssima. Não consegui dormir a noite. Estou triste sem motivo e meus pensamentos estão confusos.

Não fui à academia hoje. Não conseguiria ficar pulando de um lado para o outro e me exercitanto com esse grau de tristeza. Só quero ficar imóvel e me fundir ao ambiente, de tal forma que eu não exista mais, me tornando apenas parte do cenário.

Estou sentindo muita fome, mas eu resisti a comer coisas fora da minha dieta. Não sei bem por quê estou resistindo. Tudo me parece tão inútil. Acho que uma parte saudável de mim quer evitar arrependimentos futuros. Eu poderia comer e depois vomitar a comida, já fiz isso antes… mas é tão desagradável… é realmente horrível…

Eatou repensando a viagem para Noronha. Estou triste demais. Queria apenas ficar em casa. Não acho que vou dar conta de ir até lá sozinha. Mas agora eu já assinei o contrato e a viagem foi paga. Meu deus. No que eu fui me meter?

Não tomei meus remédios hoje. Não consegui.

Estou desenhando mal. Isso me deixa arrasada. Desaprendi a desenhar sozinha, sem olhar em alguma referência.

Não tenho a menor ideia do que eu quero fazer da minha vida. Voltar para a faculdade de medicina? Fazer artes visuais? Morrer?

 

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Estou desenhando mal

Terça-feira, 23 de outubro – a merda da terapia

Hoje foi dia de terapia individual e de terapia de família. Meu deus. Eu não aguento mais. Estou exausta de tanto fazer terapia. A qualquer momento vou explodir.

Estou fazendo duas horas de consulta, duas horas de terapia de família e uma hora de terapia individual por semana há quase um ano. E só. Minha vida se resume a fazer terapia.

Mal posso esperar pelos dias em que a minha médica vai viajar no feriado – e eu vou aproveitar para viajar também. Vou ficar livre de São Paulo!! Vou ficar livre de uber me levando de um lado para o outro!! Vou ficar livre de salas de espera!!

Vai ser maravilhoso: só tartarugas, golfinhos, conchinhas, areia branca, pôr-do-sol, muitas fotos, caipirinhas de morango… Fernando de Noronha, o paraíso!

(Desnecessário dizer que as minhas expectativas para essa viagem estão altas, não é?)

Ah! Vou fazer o meu batismo de mergulho lá! Ou seja, o meu primeiro mergulho com cilindro!

E tem várias trilhas pela ilha! Ainda bem que eu tenho um tênis adequado para trilhas em locais úmidos. Comprei em uma loja chamada Pé na Trilha, em São Paulo. Acredito que ele vá ser útil. Só preciso de uma mochila e de um snorkel…

Vou fazer a lista de coisas para levar AGORA. Quem sabe isso ajude a chateação com o excesso de terapia passar.

 

Beijos,

SS.

 

Sinais

Saber entender o que não é dito em uma conversa é tão ou mais importante do que entender o conteúdo dela de fato. É por meio do não dito que acontecem todos os joguinhos sociais… E eu sou a maior tapada do mundo para isso: é capaz de alguém me dizer “passa lá em casa qualquer dia desses” e eu realmente aparecer na casa da pessoa.

Sofri com isso a vida inteira. Tinha me esquecido o eu quanto era socialmente lesada, já que ando bem afastada de qualquer convívio social, mas voltei a me debater com essa dificuldade porque estou tentando fazer uma nova amizade. E aí a coisa fica complexa.

Eu não sei quantas vezes é natural chamar alguém para sair – e com qual intervalo de tempo. A partir de quantas desculpas eu tenho que entender que a pessoa está me dispensando e não vai sair nunca comigo? A partir de quando eu me torno a chata insistente? Sou cega para os sinais sociais.

Minha psiquiatra leu a nossa conversa no messenger. Segundo ela, estava bem adequado. Mas quando eu disse que estava pensando em chamar essa pessoa para ir até a minha cidade passar alguns dias por lá, minha psiquiatra disse que era demais, considerando que ainda nem nos vimos pessoalmente. Que pena. Seria tão divertido. Poderíamos até pegar um ônibus e ir para Foz do Iguaçu ou para o Rio de Janeiro juntas. BFF’s. ❤

Caramba. Eu sou muito carente e obcecada. Eu queria não ser assim, mas não consigo evitar.

 

Beijos,

 

SS.

 

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Carência

Paixão platônica

Estou vidrada em uma pessoa. Mas tão vidrada que está até difícil arranjar assunto para escrever aqui porque não consigo pensar em outra coisa.

E eu sou bem socialmente inapta. Então morro de medo de estar perturbando a pessoa cada vez que falo com ela, ou de ter dito a coisa errada… é uma paranoia sem fim. Por isso pedi para uma amiga K. analisar a nossa conversa no messenger do facebook. Espero que a interpretação da K. seja positiva.

É, gente. Não adianta. Hoje não vou conseguir evoluir muito nos assuntos. Por mim continuaria falando dessa pessoa especial e dos cenários que criei para nós duas dentro de minha cabeça.

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Beijos,

 

SS.