Depressão e fotografia analógica

Julho de 2016. Eu havia trancado o meu curso de medicina em uma faculdade estadual, havia perdido os meus amigos, minha dignidade e a esperança de me reerguer. Havia recém começado um tratamento em São Paulo para depressão e transtorno de personalidade borderline por pura insistência dos meus pais – eu mesma já tinha desistido de lutar.

Eu não tinha permissão para ficar sozinha, pois havia tentado me matar antes de começar o tratamento com os especialistas da USP. Minha mãe deveria ficar o tempo todo comigo e me acompanhar quando eu quisesse sair de casa. Mas eu não queria sair de casa. Eu queria ficar de pijama na minha cama o dia inteiro, dormindo e me fingindo de morta.

Eu comecei a dar os meus objetos pessoais mais queridos para meus familiares. Comecei a me desfazer das minha coisas. Isso é considerado um mal sinal, para os não entendidos de psiquiatria.

Depois de semanas, talvez meses de desapego e desinteresse pelo mundo, eu descubro um site, o www.queimandofilme.com. Foi o suficiente. Uma nova luz começou a brotar dentro de mim.

Pedi para meus pais as câmeras antigas que eles tinham em casa. Uma saboneteira e uma Olympus Trip 35. Coloquei filme nelas. Saí de casa. Deixa eu repetir: saí de casa. Foi quase um milagre. Visitei um antiquário, um foto, o parque da cidade (tirei fotos de macaquinhos, de árvores…).

O interesse não parou por aí. Fiz um amigo no grupo do Facebook do Queimando o Filme ao comprar uma Lomo… que por sinal, foi extraviada pelo correio. Mas meu amigo é tão fofo que me deu uma Pentax K1000 de presente, para eu não ficar de mãos abanando, e  ela é a câmera mais perfeita em que eu já usei. É minha companheira para toda hora.

Nesse meio tempo, comprei uma Rollei 35 (elegante e fina), uma olympus pen EF (divertida!), uma instax (foto instantânea a um custo acessível) e uma Holga 135 (linda, toda branca, me entrega fotos super saturadas). Ah! E de vez em quando pego a polaroid da minha irmã emprestada.

A fotografia me devolveu ao mundo.

 

Beijos.

 

R1-00135-0013

Pentax K1000, filme Revolog

R1-08533-006A

Olympus Trip 35

 

 

R1-08790-0013

Holga 135, tripla exposição

R1-09868-0018

Pentax K1000

R1-00135-0023

Pentax K1000, filme Revolog

R1-00135-0006

Pentax K1000, filme Revolog

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4 thoughts on “Depressão e fotografia analógica

  1. Flor, eu não te conheço, mas eu me identifiquei tanto com a tua história que chega a ser assustador. Eu tranquei o curso de medicina no terceiro ano (unioeste, estadual do paraná) em outubro de 2016, depois de 4 anos de uma depressão sem tratamento. Mudei de cidade, deixei meus amigos pra trás. Comprei uma pentax K1000. Assim como também te ajudou, a fotografia analógica me devolveu parte do brilho nos olhos que achei que tinha se esvaído pra sempre. Continue assim, pq tu faz uns fotão da porra. E que a arte esteja sempre aí pra nos manter de pé ❤

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