Quinta-feira, 29 de junho

Acabei de pintar minhas unhas de vermelho enquanto tomava licor e assistia Borderline. Inclusive, esse post é para falar desse filme.

 

A narrativa conta a história de Kiki, uma canadense que, sem dúvida, possui o transtorno de personalidade borderline (TPB), apesar do diagnóstico não ser explicitamente mencionado em nenhum momento.

Infelizmente, foi o filme “Garota, Interrompida” que ficou famoso por retratar a vida de uma mulher com TPB – Susanna, interpretada por Winona Ryder. Não me levem a mal, este filme é excelente… mas Susanna definitivamente não fecha os critérios para o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline. Enquanto isso, o filme Borderline – Além dos limites é perfeito ao retratar este quadro.

Aqui vai uma citação do filme, no original em francês (afinal, tudo fica mais bonito em francês…!):

“Je suis borderline. J’ai un problème de limites. Je ne fais pas de différence entre l’extérieur et l’intérieur. C’est à cause de ma peau qui est à l’envers. C’est à cause de mes nerfs qui sont à fleur de peau. Tout le monde peut voir à l’intérieur de moi, j’ai l’impression. Je suis transparente. D’ailleurs, tellement transparente qu’il faut que je crie pour qu’on me voie.”

 

Alguém pediu a tradução? Não precisa falar duas vezes.

“Eu sou borderline. Eu tenho um problema com limites. Eu não consigo diferenciar o exterior do interior. É por causa da minha pele, que é invertida. É por causa dos meus nervos, que são à flor da pele. Tudo mundo pode ver o meu interior, eu tenho essa impressão. Eu sou transparente. Às vezes, tão transparente que preciso gritar para que me vejam.”

 

Assistam. Eu prometo que vocês não vão se arrepender.

 

Aqui está o link para o filme no catálogo IMDb:

http://m.imdb.com/title/tt1048147/

Quem são vocês?

Até hoje, todos os dias (mesmo quando eu estava viajando e fiquei sem postar!) eu tive visitantes no blog. Poucos, mas tive. Isso, para mim, é muito legal, já que praticamente parei de divulgar meu endereço em grupos do facebook.

 

Hoje, eu vi nas estatísticas do blog um pico no número de visualizações. E isso me deixou curiosa pra caralho. Quem são essas pessoas que estão lendo o que eu escrevo?

Portanto, gostaria de deixar um pedido: mandem um oi, se apresentem, deêm algum sinal de vida – qualquer um. Por favor?

Eu sou extremamente curiosa, não estou aguentando ficar no escuro.

 

Quinta-feira, 29 de junho

Estou com uma leve ressaca hoje. Para que entendam como cheguei a isso, preciso contar sobre o dia de ontem. Lá vai:

Fui à academia com a minha mãe pela manhã. Depois, ela foi para o centro da cidade comprar linha, agulha e um bastidor para mim – eu queria bordar.

A minha vontade de bordar começou depois que vi alguns trabalhos de arte contemporânea compartilhados pelo perfil no facebook da revista Beautiful Bizarre (que é excelente, por sinal!). Eram desenhos lindos e provocantes inteiramente bordados no linho. Me apaixonei.

Passei o restante do dia bordando um coração. Demorei cerca de três horas para terminá-lo. Em seguida, comecei a bordar uma folha de maconha – não que eu goste de maconha, eu a escolhi só pelo potencial provocativo da ideia. Infelizmente não pude terminar a folha, pois vou precisar de uma linha mais fina para o contorno externo dela.

Enquanto eu bordava, eu tomava alguns goles de licor. Eu fui ao supermercado pretendendo comprar martini, mas havia acabado, não havia nem mesmo do branco, que nunca provei. Então comprei o licor, imaginando que ele seria doce e agradável de beber. Que engano! É extremamente forte! 28% de álcool. Parece que estou bebendo acetona. Ainda bem que tive a sapiência de não pegar um whisky (50% de álcool). Só tomei whisky uma vez, em Paris, e detestei.

Agora, devido aos poucos goles do licor que eu tomei, estou com essa dor de cabeça maldita! Setenta e cinco reais muito mal gastos… E eu nem podia ter escolhido comprar um vinho, afinal, eu dei o meu abridor de garrafas para o M quando eu disse que ia parar de beber.

 

E o dia de hoje??? Calma que eu conto!

Acordei com uma excelente notícia. A minha musa maior, minha diva, minha inspiração, Harumi Hironaka me convidou para ir à casa dela jantar.

PAF! TAPA NA CARA PARA EU ACORDAR DESSE SONHO!!

Preciso levar alguma coisa de presente, não? Tipo um vinho… Só que eu não quero levar um vinho, quero levar algo mais pessoal… ME AJUDEM!!! O QUE EU LEVO???

Estou muito nervosa, morrendo de medo de fazer papel de idiota na frente dela. Quero morrer.

 

IMG_2758

Segunda-feira, 26 de junho

Hoje fiquei irritada com o meu pai porque ele fez brincadeiras idiotas de ficar me cutucando e mandando beijinhos. Eu não tenho 6 anos, tenho 23 porra. Qual o problema dos pais, que não atualizam as brincadeiras???

Eu pedi que meu pai me deixasse quieta e, 30 segundos depois disso, ele tenta conversar comigo de novo, perguntando qual livro eu estava lendo. Eu teria ficado menos incomodada em outro dia, mas hoje calhou de eu estar lendo “As confissões eróticas de Anaïs Nin”. Não é algo que eu queira compartilhar com o meu pai. Então, me senti invadida e fiquei ainda mais irritada.

 

Depois de todo esse mal estar, chegou a hora da minha consulta psiquiátrica. Foi ok. Saindo de lá, resolvi passar na Academia de Belas Artes, em Vila Mariana, para ver algum curso de desenho que eu pudesse fazer. Acabamos indo, eu e meus pais, para a unidade 3, que era a mais próxima de onde estávamos. Só que os cursos são organizados por um departamento na unidade 2.

Meu pai disse para eu olhar sobre os cursos no site mesmo. Fiquei chateada, porque sei que ele é contra desenho ser qualquer coisa mais do que um hobby na minha vida. Fomos embora.

 

Estou extremamente irritada com tudo. Está difícil ficar perto dos meus pais. Qualquer coisa que eles falam já me deixa nervosa.

 

Uma notícia boa? Meu quadro da Harumi Hironaka foi emoldurado! Ele está lindo!

Mal posso esperar para comprar outro quadro dela!

 

IMG_2635.JPG

Assuntos aleatórios

Estou feliz por ver que os meus visitantes não sumiram todos na semana em que parei de postar por causa da viagem. Ainda bem!! Gosto muito de vocês, mesmo que não saiba quem vocês são.

 

Estou quase na metade do meu livro de contos eróticos. A maior parte deles retrata algum tipo de abuso sexual… triste. Por exemplo? Um homem já adulto se exibindo para criancinhas de uma escola. 👎🏻

 

A garota com quem eu estava combinando de sair e possivelmente transar me mandou um áudio. Meu deus. A voz dela é a coisa mais broxante que eu já ouvi. Não sei o que eu faço agora.

 

Amanhã recomeça a minha semana de psiquiatras e psicólogos. Não estou nem um pouco ansiosa para isso. Queria passar os dias na cama. Acho que estou ficando deprimida de novo. Ai.

 

Sexo e eu

Já há cerca de dois anos a minha auto-confiança no sexo foi muito abalada. Além disso, sexo passou a ser algo gerador de tensões – relaxar de verdade, só com álcool.

Estou diferente do que eu era. Não me sinto tão bonita, não tomo a iniciativa, não sinto prazer nenhum fazendo sexo oral em outras pessoas, não consigo relaxar a ponto de praticar sexo anal… etc etc etc.

Eu estava melhorando… mas foi “só” uma experiência ruim acontecer há algumas semanas e estou de volta ao começo da minha jornada: não consigo sequer fazer sexo, seja ele ruim ou não. Não consegui transar em Fernando de Noronha. Não consigo transar com uma garota que quer sair comigo aqui na minha cidade.

Para piorar, um dos remédios que estou tomando deixa a minha libido quase no zero. Parece que o Universo está conspirando para que eu tenha uma vida sexual de merda.

Vou conversar com a minha médica e ver se é possível trocar de medicamento. Afinal, ter uma vida sexual boa sempre foi algo importante para mim. Deixou de ser apenas depois da cacetada (literalmente?) de más experiências que eu tive.

Domingo, 25 de junho

Eu dormi o dia inteiro ontem. Não foi bom. O meu corpo ficou dolorido de tanto que fiquei deitada na cama. Não fui à aula de tecido acrobático – não consegui. Mas fui à academia durante a semana… pequenas vitórias.

Estou melhor hoje. Estou até mesmo lendo um livro. Eu tinha planejado terminá-lo ontem, mas não foi possível.

O livro se chama Passarinhos, de Anaïs Nin. É um conjunto de contos eróticos. Comprei de um sebo, pela internet. Adoro livros usados.

 

SS.

 

Terça-feira, 20 de junho – Meu último dia em Noronha

Essa viagem acabou comigo. Meu nariz está descascando e o ombros estão vermelhos por causa do sol, estou com quatro unhas quebradas, um joelho ralado, pés e mãos cheios de cortes, roupas sujas de lama… E estou feliz e mais forte!

Aprendi a gostar de forró. Nadei com um tubarão (juro!), com mais de vinte arraias e com umas trinta tartarugas lindas, além de mil peixinhos coloridos. Vi golfinhos em um passeio de barco. Fiquei bronzeada. Superei meus limites fazendo trilhas em que eu achava que não ia chegar ao fim – mas chegava, sempre chegava. Comi mal em alguns dias, comi bem em outros. Pedi pratos diferentes em restaurantes, e com isso descobri o que é molho shitake e gostei. Desci a escadinha de acesso ao Sancho, a tal da praia mais bonita do MUNDO, e só quem já passou pela tal escadinha sabe como o acesso é complicado e assustador. Mergulhei com cilindro e foi uma experiência surreal (e um pouco agonizante, confesso!) poder respirar em baixo d’água. Vi o projeto TAMAR fazer a soltura de tartarugas bebês, recém saídas dos ovos, e foi lindo e emocionante vê-las correndo instintivamente para o mar, com toda a coragem do mundo, prontas para enfrentar um oceano inteiro cheio de perigos.

Praia? Nunca mais quero outra, Noronha elevou meus padrões. Um segredo? Lágrimas escorreram quando eu estava a caminho do aeroporto. Fazer o quê? Essa ilha é linda demais!

 

DCIM100GOPROGOPR0884.JPG

GoPRO –  não falei que a ilha é maravilhosa?

 

IMG_2503

GoPRO – parte da sequência de escadinhas de acesso à praia do Sancho. Pensa que é fácil chegar na praia mais bonita do mundo?