Sexta-feira, 2 de junho

Meus pais vieram me visitar. Eles chegaram ontem.

Hoje eu acordei bem cedo e fui até a sala, onde o meu pai estava dormindo no sofá, e comi o mirrado café da manhã da minha dieta – em cerca de dois meses perdi 6 kg, e ainda estou longe do meu peso normal e longe de conseguir usar as minha roupas.

Assim que acordou, o meu pai foi até a minha faculdade levar uns documentos para que a minha matrícula permaneça trancada por motivos de saúde. É o meu segundo ano afastada da vida universitária. O tédio está me matando aos poucos – mas ao mesmo tempo, cada coisa que eu faço requer um esforço sobre-humano, pois ainda estou fraca.

 

Perto do meio-dia fomos até o viveiro de plantas. Comprei meia dúzia de suculentas e dois vasinhos pequenos bem bonitos. Também comprei um veneno porque minhas plantas estão com pulgão e o inseticida natural que eu usava não estava servindo de nada: apenas queimava as folhas das minhas queridas suculentas e não acabava com as pragas. Era o tal de óleo de neem.

 

Em seguida, para matar o tempo até o horário que eu tinha no dentista (14h), fomos ver um buraco em que eu caí com o carro perto de um shopping aqui da cidade. Deixe-me contar a história… Quarta-feira passada, em vez de parar o carro no estacionamento do shopping, eu o deixei em uma rua lateral… Achei que não valia a pena gastar R$8,00 pelos quinze minutos que eu passaria dentro do estabelecimento. Acabei me ferrando. Na hora de estacionar, uma das rodas do carro caiu em um buraco ENORME do lado da sarjeta, e eu não conseguia mais tirá-lo de lá. Saiu? Saiu. Depois de eu pedir ajuda para um homem com mais habilidade do que eu e de raspar toda a minha calota e o meu pneu. E fui ao shopping à toa: o livro que eu queria estava esgotado na livraria.

 

Depois do tour, fomos ao dentista. Ainda era cedo. Fiquei esperando cerca de uma hora e meia, porque o desgraçado se atrasou mais de vinte minutos. Ele não fez nada nos meus dentes, só disse que vou ter que usar uma placa para tratar apertamento de mandíbula e me mandou fazer umas radiografias.

Saí do dentista cansada. Eu já tinha esgotado o meu limite, mas meus pais queriam radiografar meus dentes em seguida. Pedi para deixar para depois, mas não adiantou. Fomos fazer as tais radiografias. Mais espera, fome, mais gente cutucando minha boca.

 

Nesse meio-tempo, me aborreci com o meu pai, que falava coisas completamente sem sentido. Que um exemplo? Que tal esse:

“Você deveria pegar um pouco de sol agora senão você vai se queimar quando for para Fernando de Noronha.” Não! Isso não faz sentido!! A prevenção de queimaduras solares é feita com filtro solar, não com bronzeamento!!

Mais um exemplo?

“O Temer é a solução do Brasil e eu acho que a Marcela sabe se comportar, não fica querendo aparecer só porque é bonita.” Sério? Depois da delação contra o Temer? E qual o problema de uma mulher que é bonita, sabe que é bonita e mostra isso? Parece que alguns homens querem as mulheres sempre tímidas, reservadas, rindo com a mão na frente da boca, escondendo a sua beleza, escondendo a sua sexualidade… Chega, né?

Quer um último exemplo? Eu e minha mãe vimos na rua em que eu parei o carro ao lado do shopping meia dúzia de pontos com vidro TEMPERADO quebrado, em caquinhos pequenos, inclusive um deles com a película de insufilm inteira do lado. Falamos: “melhor começar a pagar o estacionamento, muitos carros estão sendo assaltados aqui.” Mas meu pai, que é um pão-duro desgraçado disse:

“É garrafa quebrada”

“Mas garrafa não é feita com vidro temperado, pai…”

“É garrafa quebrada”

“Mas tem até uma película de insufilm aqui, pai…”

“É garrafa quebrada”

DESISTO!

 

Para finalizar, na volta para casa, as pedrinhas e terra dos vasos das minhas suculentas caíram em todo o meu carro e fiquei extremamente puta. Meu carro é lindo, um Fiat 500 vermelho por dentro e por fora, e eu só imaginava que aquela terra toda jamais sairia dele.

 

Chegando em casa, me dei por vencida. Comi e me atirei na cama. Dor de cabeça e dor no corpo. Escrevi para o professor da academia que eu não ia conseguir ir para a aula. Medi minha temperatura: um pouco de febre. Faltei na dança e no alongamento também. Fiquei em casa espirrando como uma desgraçada, com um rolo de papel higiênico do lado para limpar o nariz cheio de catarro. Eca.

Estou chateadíssima por ter furado com os meus professores, mas não rolou. No tempo que fiquei em casa, apliquei o veneno nas plantas e fiz a minha mãe pintar uma aquarela. Foi divertido.

Estou um pouco triste porque os meus pais não respeitaram os meus limites e se recusaram a voltar para casa quando eu pedi. Eu ainda não sou quem eu costumava ser. Canso fácil. Só para ir na academia, em um dia normal, eu preciso me deitar durante a tarde para descansar bem e ficar repetindo “eu vou, eu vou, eu vou, eu vou” infinitas vezes na minha cabeça.

 

Esse foi o meu dia.

Beijos.

SS.

 

R1-00545-0014

Foto analógica, Rollei 35T

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