Não sou um monstro

Um dado importante a respeito de pessoas com TPB (transtorno de personalidade borderline) é que às vezes nos comportamos mal. Não conseguimos controlar a nossa raiva – ela parece desproporcional para quem não está vivendo a situação de dentro da nossa cabeça. Somos impulsivos – podemos dizer ou fazer coisas das quais iremos nos arrepender depois com grande facilidade. Nos machucamos de inúmeras formas – não apenas por meio de cortes. Nos colocamos em risco – de vez em quando ultrapassamos os limites das normas sociais.

Eu me me coloco sexualmente em risco. Uma vez, fui sozinha a uma casa de swing, porque estava triste demais, me sentindo um lixo, em um dos pontos mais baixos da minha vida, e esse foi o jeito que encontrei para me machucar. Mas também já abusaram de mim, e não é justo dizer que em situações passadas eu fui promíscua, como se isso fosse uma desculpa. “Ah, ela diz que foi abusada, mas ‘frequenta’ casas de swing”. Argumento inválido.

O que eu já fiz ou deixei de fazer não dá a ninguém um passe livre sobre meu corpo.

E nós, pessoas com TPB, não somos monstros. Eu não sou um monstro.

Na maior parte do tempo eu sou uma pessoa agradável e educada. Falo baixo, gosto de ajudar os outros e me comporto bem. Eu tive estabilidade suficiente para conseguir levar, mesmo com a depressão, três anos e meio de um curso de medicina muito puxado. Uso camisetas largas e all-star para sair de casa. Eu não sou um monstro.

 

Eu precisava colocar isso para fora.

R1-00544-011A

Foto analógica, Pentax K1000, Ibirapuera

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