Remédio: RITALINA®

Eu nunca falei sobre quais remédios tomo ou deixo de tomar aqui no blog, porque detesto ver pessoas procurando informação sobre isso online: elas deveriam se informar com médicos, ou seja, com alguém capaz de prover informações 100% corretas, integradas aos outros aspectos do tratamento, personalizadas para o paciente e baseadas em anos de estudos, experiência pessoal e estudos clínicos (pelo menos na teoria, porque eu sei bem como foi difícil encontrar uma médica boa e capaz, que é a responsável pelo meu tratamento hoje – gosto muito dela).

Apesar disso, hoje vou falar sobre um dos medicamentos que eu tomo. Não vou destrinchar a parte médica (afinal, como já disse, acho isso errado), vou apenas dizer qual é a minha relação com ele.

 

Já há algum tempo, eu tomo a famosa Ritalina®, nome comercial do metilfenidato. Ela ficou conhecida por ser usada no tratamento farmacológico de TDAH (o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e como substância de abuso, usada por estudantes em época de vestibular, por exemplo, que desejavam aumentar sua capacidade de concentração e estudo.

Acontece que TDAH é algo controverso. Alguns duvidam até de que seja um transtorno real e afirmam que o diagnóstico é subjetivo demais, e que a situação toda pode tratar-se apenas de pais desejosos de maior docilidade por parte de seus filhos. Bem, independente disso, é fato que ele foi um diagnóstico da moda.

Muita gente gostava de justificar as notas baixas do filhos com o “tal do déficit de atenção”, quando o problema podia estar em outro lugar: falha na metodologia das escolas, mau comportamento, ambiente familiar complicado etc. Afinal, é mais fácil acreditar que uma “pílula mágica”, a Ritalina, vai resolver tudo; ou que o problema está em algo externo, não, por exemplo, na falta de atenção que damos aos nossos filhos.

E, mesmo os médicos, estavam fazendo em demasia o diagnóstico de TDAH. Provavelmente, patologizando um comportamento normal.

Como resultado, o TDAH ficou desacreditado. As famílias que possuem filhos com o transtorno sofrem muito, pois estão batalhando contra uma doença que, segundo a muitos, sequer existe. A Ritalina ganhou má fama: transforma crianças em zumbis. Mentira. Se for usada com a indicação correta, deixa as crianças mais felizes, capazes de se concentrar e com maior auto-estima.

Explicado um pouco sobre a Ritalina no contexto do TDAH, vamos para o universo dos concurseiros e vestibulandos. Aí, já começa mal: a Ritalina é obtida ilegalmente, por meio da internet, de traficantes, de farmacêuticos…

O objetivo dos estudantes que tomam a Ritalina é conseguir passar noites em claro estudando, aumentar a capacidade de concentração e a atenção para, no fim, conseguir aprender mais conteúdo em menos tempo. (Isso me faz pensar na pressão desumana a que submetemos muitos vestibulandos…)

Isso é uma grande merda. A ritalina pode aumentar a quantidade que alguém estuda, mas, em pessoas sem indicação para seu uso, ela não aumentará a qualidade do estudo. E, além disso, pode provocar crises de ansiedade, o que já costuma ser um problema em vestibulandos. Também, diminuir o tempo de sono é uma cilada: ele é essencial para a fixação do conteúdo aprendido durante o dia.

 

Todas essas coisas envolvem a Ritalina de rumores péssimos. Droga de abuso. Substância usada para frear a criatividade das crianças. Transforma as pessoas em zumbis. Receitada em excesso pelos médicos. A falsa pílula da inteligência. Vendida por traficantes. Usada por quem tem TDAH, aquele transtorno que nem existe, de crianças “problemáticas” (pelo amor de deus, essa não é a minha opinião, estou jogando aqui com a opinião pública de quem desconhece completamente esses assuntos).

Essas coisas, infelizmente, causam em mim vergonha de tomar a Ritalina. Eu, muitas vezes, pulava esse comprimido, pela manhã. Simplesmente não conseguia encará-lo. Se alguém me pergunta que remédios eu tomo, não tenho vergonha de falar sobre os antidepressivos, ou sobre os estabilizadores de humor… mas sobre a Ritalina eu tenho. Isso porque, no meu caso, a Ritalina foi prescrita por uma excelente psiquiatra, uma médica em quem confio muito.

Não tenho TDAH. Eu estava apenas me sentindo desanimada, mesmo com os antidepressivos, por isso a Ritalina foi introduzida. Ela não trata depressão, assim como tomar um analgésico para a dor não trata o que está causando a dor… que pode ser um apêndice inflamado, por exemplo (nesse caso, o tratamento seria remover o apêndice – no meu caso, o tratamento para a depressão é tomar os antidepressivos e fazer psicoterapia). Porém, enquanto eu não melhoro 100% da depressão, a Ritalina está me ajudando bastante a conseguir levantar da cama, ir à academia e etc.

Já chega de sentir vergonha de tomar um medicamento que me ajuda, não é? Basta.

 

R1-01132-0024

Pentax K1000, Kodak Pro Image, Bonito – MS

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