O que fazer?

Estou pensando em coisas que posso fazer até as minhas aulas da faculdade voltarem. A minha médica me incentivou (já que, como disse no post anterior, ando passando muito tempo deitada) e eu acho que tem boas chances de eu conseguir levar a sério. Por enquanto, estou fazendo apenas inglês (avançado 1, na cultura inglesa) e academia (3x na semana).

 

As seguintes opções eu já descartei:

– Squash. Fiz por um mês, foi amor à primeira vista! Mas o professor é machista e homofóbico… difícil de conviver! E não há outro local em que eu possa fazer aulas…

– Francês. Eu retomei durante esse semestre, mas não consegui manter. Não me identifiquei com a turma, não gostava da professora e era difícil ir para a aula no sábado.

 

Ainda estou em dúvida sobre estas opções:

– Yoga. Queria fazer há muito tempo e agora parece que descobri um lugar que se encaixa com as minhas expectativas. Se tudo der certo, farei uma aula experimental este sábado.

– Ballet. Já há alguns anos, comecei a admirar o universo do ballet. Para a minha enorme frustração, não fiz aulas desde criancinha, mas… posso tentar começar agora, não é? Quando estava em Paris pela última vez, assisti Giselle, um espetáculo de ballet maravilhoso no Palais Garnier (o local que inspirou o livro O fantasma da ópera). Sem dúvida, uma das coisas mais bonitas que já vi.

– Tecido acrobático. Amo.

– Tênis. Ah, ouvir o barulho da bolinha batendo na raquete é uma sensação tão boa…!

– Hipismo. Cavalgar é pura liberdade. Infelizmente, eu não sou tão fã do pessoal que administra a hípica, e isso me deixa um pouco desconfortável em retomar as aulas.

– Pole dance. Fiz uma aula experimental e foi bem divertido. Entretanto, tenho medo de estar me forçando a gostar de pole só porque uma pessoa que admiro muito gosta… E eu quero escolher minhas atividades com base no que faz sentido para MIM.

 

E aí?

Sugestões?

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Quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Olá…

 

Amanhã eu farei alguns exames laboratoriais, porque, durante as últimas três semanas, vários “hematomas” (o nome correto é “equimose”) apareceram nas minhas coxas, sem nenhuma causa aparente. Um desses hematomas era bem grande, tinha o comprimento da minha mão.

A minha médica acha a causa pode ser um dos remédios que estou tomando no momento. Inicialmente, eu pensei que os hematomas talvez estivessem relacionados com a academia (o esforço físico levando à ruptura de pequenos vasos sanguíneos…), mas eles aparecem mesmo quando não me exercito. Desse modo, acho que a minha médica tem grande chances de estar correta.

É tão bom finalmente ter uma queixa física para levar ao consultório médico. A maioria das minhas reclamações são sobre coisas abstratas, subjetivas… Mesmo agora, cercada por profissionais nos quais confio, sinto medo de não ser levada a sério. Quando minha reclamação é sobre algo visível, tudo muda: ninguém pode dizer que os hematomas não existem. Acima de tudo, EU me levo a sério: diante de algo físico, tenho certeza do que é real e do que não é. Enquanto as coisas estão apenas na minha mente, tudo é confuso demais, duvido de mim mesma o tempo todo.

 

Durante as últimas três semanas, passei uma quantidade absurda de tempo deitada na cama sem fazer nada, olhando o celular ou dormindo. Não sei por quê isto está acontecendo, mas não estou gostando.

Acho que estou assustada com a perspectiva de retornar para a faculdade, com medo de não conseguir dar conta das obrigações que terei. A vida pode ser bem cansativa, sabem? Quando tentei me matar (evento que me afastou de vez da faculdade), uma das muitas coisas que sentia era essa exaustão constante.

A vida dá trabalho demais. Vale a pena? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor. (-Fernando Pessoa)

Às vezes, não tenho certeza se quero passar além do Bojador…

Quarta-feira, 1º de novembro

Olá!!

Nossa, eu ando fazendo pouquíssimas coisas com os meus dias. Mesmo que eu durma relativamente cedo (mais ou menos meia-noite), eu não levanto da cama antes das onze horas da manhã. E, após tomar o café da manhã e almoçar (pois é, tudo de uma vez), volto para a cama e fico quietinha esperando dar a hora da academia.

Isso não me faz feliz. Sim, é bom dormir e é maravilhoso acordar sem despertador… mas eu também gosto de ser produtiva, de sentir que estou TERMINANDO coisas, APRENDENDO algo… Eu realmente não sei por quê não estou conseguindo fazer outras coisas das quais eu também gosto, como desenhar e ler. Ah… a sensação de terminar um livro é tão boa! Que saudade disso!

 

Eu tenho notícias legais, também. Eu fui à minha nutricionista segunda-feira passada, e meus resultados estão surpreendentes (bem, pelo menos EU estou surpresa! hahahaa Eu acredito que mudanças de estilo de vida são dificílimas de se concretizar!). Desde que eu comecei o meu acompanhamento nutricional e a academia, perdi 12,7kg. Imagina? Antes, eu estava andando por aí carregando o peso de dois pacotes de arroz e dois de feijão.

Eu me sentia muito triste por não conseguir fazer várias coisas que antes eram fáceis para mim (como as acrobacias no tecido, ou mesmo caminhar um pouco pela rua sem sentir falta de ar) e porque nenhuma das minhas roupas servia: por mais de seis meses, só conseguia usar duas calças largas e de elástico, então revezava entre elas sempre que precisava sair de casa. Além disso, meu IMC estava no nível de obesidade (não parecia, mas estava) o que é fator de risco para diversas doenças cardiovasculares e endócrinas. Eu sou apaixonada por cardiologia, então quero cuidar muito bem do meu coração. É por isso que continuo na academia, senão teria desistido e ficado apenas com a dieta! Hahaha

Outras informações interessantes da minha avaliação com a nutri: eu ganhei 5,7kg de massa magra (ui, estou fortona!) e perdi 18,4kg de gordura – ou seja, entre ganhos e perdas, no fim, estou com 12,7kg a menos, como escrevi lá em cima. E, vejam só, meu percentual de gordura passou de 45,3% para 26,3% – isso é fantástico!

Estou contente demais! Aos poucos, estou deixando as lembranças da depressão (neste caso, o ganho de peso) para trás! Ainda quero emagrecer um pouquiiinho mais, afinal, ainda tenho algumas roupas que continuam não servindo, incluindo uma saia preta super sexy que eu amo. E, se meu percentual de gordura cair um pouco mais, ele fica em uma faixa até que bem saudável e, quem sabe, eu posso até ficar meio definida. Imagina só? Seria divertido!

 

Quero contar mais uma coisa. Estou lendo um livro muito bom, do Haruki Murakami. Ele anda bastante popular, mas os títulos dos livros e as sinopses não me atraíam. Então, depois da recomendação dos livros dele por uma pessoa de quem gosto muito e de tanto ouvir falar desse escritor, resolvi tentar. Não posso negar: as capas brasileiras dos livros do Murakami estão muito bem feitas, adorei as ilustrações – meus problemas eram só com os títulos e as sinopses mesmo!

E… o que dizer? Estou na metade de “Minha querida Sputinik” e amando – tanto que já comprei outro livro dele, mesmo sem ter terminado o primeiro. Sou uma viciada em livros. Preciso de tratamento.

 

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Agoooora, o último assunto do post, eu juro. Minha crush pelo meu professor de inglês, o meu teacher. Nossa… aula passada foi péssima. Eu estava aguardando ansiosamente por ela, porque tinha postado no facebook uma foto usando a minha fantasia sexy e maravilhosa de Halloween. Eu tinha certeza que ele não iria curtir, porque seria um pouco inapropriado, mas estava certa de que ele veria.

Toda a minha expectativa foi por água a baixo. Ele não me dirigiu a palavra em nenhum momento, não me perguntou nada. E, para completar, uma colega para quem já dei carona várias vezes foi um pouco ríspida comigo. Vou contar:

Eu conversava com a minha dupla, uma garota engraçada e sagaz, e disse, sem seriedade nenhuma, que o Halloween devia ser um feriado. Cara, eu nem sou tão fã assim de feriados, acho que na maioria das vezes eles atrapalham o fluxo da semana. Foi só meu jeito de dizer que achava o Halloween muito divertido. A colega, que ouviu a conversa, refutou isso imediatamente, dizendo como o Halloween era uma coisa maligna, porque antigamente as pessoas usavam esta data para queimar as supostas bruxas nas fogueiras e sei lá mais quais motivos. Eu, que já tinha lido a história do Halloween, não lembrava de nada disso, e li novamente quando cheguei em casa e de novo não encontrei referências a isso. Pode ser que seja mesmo verdade, eu não procurei a fundo, mas, de qualquer modo, eu acho que a festa de hoje não tem nada a ver com isso… é só uma data para usar fantasias legais! Ah! E algo que provavelmente é verdade, é que o Halloween começou com a druidas, envolto pela cultura celta, que envolve muito misticismo. Ou seja, WITCH POWER!

Eu tentei conter a minha expressão de surpresa por alguém tão jovem ter preconceito com o Halloween e disse à minha colega que “queima de bruxas” não era o significado da festa para mim. Quando ela continuou falando, simplesmente escapou da minha boca que eu achava mais legal o Halloween ser feriado do que Finados. O que é verdade. Eu acho Finados uma data extremamente macabra e de mau gosto. Mas aí já envolvi as crenças religiosas e filosóficas da menina, não deveria ter feito isso. Disse algo realmente estúpido e sem pensar. Não falei mais nada quando percebi que havia dito merda e que seria uma fria maior ainda tentar justificar o meu carinho pelo Halloween para alguém aparentemente intolerante. A tal colega ainda tentou me chamar mais duas ou três vezes para falar sobre as tais mulheres sendo queimadas nas fogueiras – assunto realmente triste, mas que, até agora, não consigo correlacionar com o repúdio dela pelo Halloween. Finalmente, o professor chamou a atenção da menina e ela calou a boca.

Mas, vejam só que coisa… cinco minutos após isso tudo, o professor estava nos dando orientações para fazer um texto, de quatro parágrafos. Depois de toda a explicação, eu pergunto se a coisa dos quatro parágrafos era uma sugestão ou uma regra. Não gosto de seguir regras se elas não fazem sentido para mim.

O prof explica que é uma regra, repetindo que um parágrafo era para a introdução, dois para desenvolver um argumento em cada, e o último para a conclusão, como se eu fosse uma idiota. Não era essa a questão! Por que, por exemplo, eu não posso desenvolver dois argumentos no mesmo parágrafo se eu quiser, ou se na hora ficar bom assim, porra?? Até nas dissertações para vestibular, que são uma maldita receita de bolo, eu podia fazer isso. Falei essas coisas, porém educadamente. Os outros alunos disseram que parágrafos longos faziam as coisas ficarem confusas… Eu achei isso um pouco absurdo, e argumentei que Dostoiévski, de quem o professor tanto gosta, fazia parágrafos longuíssimos. “Por acaso você está se comparando com Dostoiévski?”, falou rispidamente a colega de antes. Isso me irritou muito. Não respondi nada. Não estava me comparando, meu único ponto era: parágrafos longos podem ser muito bons, afinal, dizer que “parágrafo longo” é necessariamente “parágrafo ruim” é uma falácia. E, se estivesse me comparando, qual o problema?

Para finalizar, o teacher voltou a ter a palavra e disse que as regras estavam ali para nos ajudar. Muita liberdade nos fazia estragar tudo, às vezes. Eu respondi que até gostava de estragar tudo. As pessoas que seguem as regras e nunca testam seus limites são extremamente chatas.

 

Beijos.

Quinta-feira, 26 de outubro

Olá, povo!

 

Hoje fui à academia. Meu professor foi muito cruel comigo, achei que meu pulmões fossem explodir lá pela metade do treino. Porém, de alguma forma, eu sobrevivi e ainda fui para o inglês, o que foi ótimo, porque o meu teacher é maravilhoso, sou muito apaixonadinha por ele.

Assim que entrei na sala, o teacher me disse oi. Especialmente para mim: ele falou o meu nome, entendem? Adoro quando isso acontece. Nossa, estou parecendo uma adolescente de 12 anos, é tão engraçado! Em seguida, eu sentei no meu lugar e ele comentou que era a primeira vez que ele me via sem maquiagem. Também gostei disso, afinal, significa que ele reparou em mim, não é? Porque a informação estava corretíssima, era mesmo a primeira vez que eu ia para a aula sem maquiagem.

Depois, no meio da conversa, eu mostrei o meu pacotinho de chá de camomila e disse que era “weed”, ou seja, maconha. O contexto disso é que há algumas aulas a turma anda brincando sobre o fato de eu ser uma “fora da lei”… em outro post eu explico o motivo! E o teacher… bem, ele esticou o braço e abriu a mão, como se dissesse “eu quero!”. Foi engraçado. Por isso, e por outras coisas que ele fala em sala, eu deduzo que ele deve ser bem piradinho – e isso é um puta elogio!

Aiai… mal consegui desgrudar os olhos dele durante a aula inteira. Eu gosto demais da sua pose descontraída, do humor ácido, do cabelo loiro, da cara de nerd…

 

Ah, mais uma coisa que eu queria contar… Terça-feira passada, eu estava andando pelo centro de São Paulo, próximo à Avenida São João. Lá é uma área complicada, com muitos moradores de rua dormindo nas calçadas, lixo acumulado nas esquinas e prédios deteriorados.  O local é extremamente próximo da cracolândia. Sim, AQUELA cracolândia, a famosa, a da Luz.

E, enquanto eu caminhava por esta parte tão judiada da cidade, mais ou menos às duas horas da tarde, vi uma mulher loira sentada no chão, encostada na parede. De início, a cena me provocou confusão, porque ela era jovem, bem vestida… não parecia uma moradora de rua, não consegui entender o que ela fazia sentada naquele chão tão sujo. Ao passar ao lado da mulher, olhei para ela e vi que um fino tubo metálico estava preso entre seus lábios, e pude ouvir distintamente o som de um isqueiro sendo acionado repetidas vezes. E foi assim que o crack deixou de ser algo apenas da TV e dos livros para se tornar muito mais real para mim. A alguns passos de distância, no mesmo quarteirão, dois rapazes sentados no meio fio também tinham cachimbos improvisados em mãos.

Ver esses três seres humanos desafortunados usando crack foi extremamente angustiante e triste. Eu espero, com todo o meu coração, que no futuro eles tenham uma chance de viver melhor. Só posso imaginar o sofrimento pelo qual eles estão passando agora e pelo qual passaram até chegar nessa situação.

Amizade desgastada

ATENÇÃO: neste post, falo minhas opiniões sobre alguns assuntos polêmicos. Eu gostaria muito que isso não mudasse a relação que acredito ter conseguido construir com alguns de vocês. Se todo mundo pensasse igual, o mundo seria muito chato. E eu mesma não penso do mesmo jeito que há cinco anos – eu evoluí muito, ainda bem! Nada do que eu disse aqui é fixo, quero melhorar cada vez mais.

 

 

Olá.

Estou aqui para contar um pouco mais sobre o L. Dessa vez, as notícias não são tão boas.

A primeira coisa que tenho para dizer é que ele mudou depois que transamos. Antes, ele era educado, fofo e atencioso – depois, passou a ser ríspido e indiferente. Nunca havia passado pela experiência de alguém mudar de comportamento após o sexo… achei imaturo e canalha.

Eu sofri por isso? Não. Em nenhum momento eu cheguei a gostar dele, inclusive, mantive o pé atrás e rechacei todas as demonstrações de afeto que não me pareceram honestas. Querem um exemplo deste último caso? Um dia, sem eu ter perguntado nada, ele simplesmente soltou “eu namoraria você”, quase como se estivesse me dando um selo de qualidade que não pedi. Isso não é um pedido de namoro real, é apenas um gancho para fisgar a menina sem se comprometer! Não há propósito em se dizer algo do tipo a não ser criar falsas ilusões e machucar. Felizmente, estou em uma fase boa da minha vida, com confiança o suficiente para saber que NÃO quero um relacionamento – então, “bajulações” como essa me fazem dar risada.

A segunda coisa que quero compartilhar, é que descobri que nós não temos nada em comum. E não estou falando das coisas pequenas, estou falando das coisas grandes e importantes.

Logo no primeiro dia em que eu e L começamos a conversar, fiz questão de dizer que eu era feminista, para, caso ele fosse uma dessas pessoas que acha que somos “revoltadas com ódio de todos os homens”, ele pudesse cair fora logo. Pelo visto, minha tática não adiantou. Conto o que ele disse sobre mulheres e feministas no próximo post.

Ao longo de apenas uma semana, L disse coisas como: “bandidos merecem umas porradas, para ficarem espertos”, “eu sempre quis matar um ladrão a pancadas”, “o fato de fulano ser um cachorro (ele usou essa palavra para se referir a alguém que não trata bem as mulheres) não faz dele uma pessoa ruim”, “acho que sexo a três não é adequado, sou contra, porque esta é a minha visão de mundo”, “acredito que as pessoas não deveriam ter o direito ao suicídio, você, como médica, deveria concordar, e, inclusive, vou fazer uma campanha sobre o assunto para tentar mudar a ideia de pessoas que pensam como você (olha a prepotência…)”, “você tá achando que vou ser à favor de sexo a três? De drogas? De suicídio? Jamais. Isso são valores, não crenças”.

Nossa. Haja paciência.

Somando 2+2 é possível saber minhas opiniões sobre todos esses assuntos espinhosos, não é? Apenas, o oposto de tudo o que L disse. Para mim, criminosos são seres humanos (uau! que pensamento ousado!), e o contexto em que viveram deve sempre ser analisado. Também acho que presídios não deveriam ser punitivos, mas uma oportunidade de reabilitação. Atualmente, parece que eles apenas cospem as pessoas de volta na sociedade, mais sem rumo do que elas estavam antes de serem confinadas. Maltratar e humilhar uma mulher, acredito, diz muito sobre o caráter de uma pessoa. Se um ato sexual é consensual, envolve pessoas maiores de idade, que estão se divertindo… qual o mal que elas estão fazendo??? E acho que ele teve a profundidade emocional de uma colher de chá para analisar o suicídio… Saber se a vida vale ou não a pena ser vivida é uma questão filosófica antiga e muito poética. Mas, independentemente de qualquer filosofia, o mínimo que deveria ser permitido aos seres humanos é ter autonomia total sobre o próprio corpo, inclusive para se matar, caso assim o quisessem (provavelmente, seria de bom senso, antes passar por uma avaliação psiquiátrica, para descartar doenças como depressão, que poderiam nublar o julgamento do indivíduo…. ). E não, eu não sou “à favor do suicídio”. Sou à favor das pessoas terem autonomia sobre si mesmas, porque eu sei muito bem como é desesperadora a sensação de não ter o controle do seu próprio corpo ou do que vai acontecer com você. E quanto às drogas? O que é ou não uma droga varia muito entre culturas e épocas… Hoje em dia, o cigarro comum e o álcool são substâncias de abuso muito aceitas pela sociedade. Há países em que a liberação das drogas leves, acompanhada de INTENSA conscientização da população funcionou muito bem, como na Holanda. A proibição da maconha (que não causa overdose, tem um potencial de adicção quase nulo e, até hoje, não pode ser ligada a nenhum óbito) no Brasil sustenta o tráfico, que financia atividades muito piores e faz com que o produto que chega aos consumidores seja de péssima qualidade, por exemplo. Existem dezenas de outros argumentos muito bons para a descriminalização do uso da maconha, que não interessam no momento.

Minha intenção com esse textão, queridos leitores, não é polemizar. Eu adoro vocês, e vou continuar adorando, mesmo que a gente discorde em muitas dessas coisas. Já com o L, as coisas foram mais complicadas porque eu conversava com ele diariamente e porque ele julgava muitas atitudes minhas. Talvez, para um amigo próximo, a melhor coisa seja alguém pelo menos um pouco parecido com você. Eu tentei relevar todas essas diferenças entre nós dois, afinal, eu realmente queria um amigo, especialmente um na medicina, porque voltarei para o curso ano que vem, e lá é um ambiente muito inóspito. Também, me parecia intolerante parar de conversar com uma pessoa apenas por termos opiniões divergentes.

O que eu fiz? Evitei a todo custo assuntos polêmicos. Superficializei nossas conversas. Funcionou por um tempo.

Para terminar esse post gigantesco, que eu sei que está ficando chato, vou contar mais duas coisas que L fez das quais eu não gostei. Um dia, ele disse que não tinha ciúme de mim. Até aí tudo bem, tudo ótimo. O problema é que ele completou com a frase: “você é do povo”. Nem quis saber qual era a intenção dele com essa péssima colocação… Respondi: “Tá enganado, sou minha” e ficou por isso mesmo.

Porém… o que mais me irritou, foi quando eu comecei a contar que uma caloura minha da faculdade havia falado comigo, coisa que me deixou bem contente. Eu entrei na faculdade em 2012, ela em 2013 – por isso a chamei de caloura. Mas, ano que vem, eu não estudarei um ano na frente desta garota… ela reprovou o primeiro ano (não sei o motivo), e eu reprovei o quarto (por faltas, tive o pior e mais longo episódio depressão da minha vida), só que, além disso, tranquei dois anos para fazer o meu tratamento. L poderia ter dito qualquer coisa… podia ter perguntando quem era a garota, podia ter perguntado o que ela queria comigo, podia ter ignorado… mas resolveu cutucar a ferida: “ela não é mais sua caloura, é sua veterana”. Porra! Eu já havia dito a ele que era doloroso pensar em como meus antigos calouros agora estão na minha frente! Parece que o único objetivo dessa frase foi me humilhar um pouquinho… Depois, o filho da puta ainda se justificou dizendo que estava apenas falando “a verdade”. Eu não sou estúpida, eu sei que estou atrasada na faculdade! Não preciso ouvir comentários maldosos sobre isso vindos do nada.

 

Eu não sei se consegui passar o clima certo dessas situações que me chatearam, e, mesmo se passei, talvez vocês achem que foi “pouca coisa”. Mas, era eu que estava vivendo a história, e me senti bastante mal com tudo isso, e acho que é o sentimento que importa. Até o ponto em que parei essa narrativa, eu e L ainda estávamos nos falando.

 

Beijos, até outro dia.

 

PS: minha gata acabou de matar uma lagartixa que eu estava protegendo dela desde a noite passada. Por que ela foi descer do teto??? Pobrezinha. Estou arrasada. Eu gosto de lagartixas. Peguei o cadáver dela com uma folha de papel, fiz um envelope e deixei sob um vaso na minha sacada. Não quero jogá-la no lixo. Amanhã, quando foi dia, eu dou um jeito de colocá-la perto de uma árvore, ou coisa assim.

Amizade colorida II

Há algumas semanas, eu disse ao L que precisava ir à livraria de um shopping aqui perto para pegar um livro que eu tinha encomendado. Ele se ofereceu para ir comigo – achei isso muito fofo.

Sábado a noite, me arrumei e fomos juntos até a livraria. Eu sou muito viciada em livros, e gosto de perambular olhando as estantes, tentando descobrir algum tesouro escondido – uma obra pouco conhecida e encantadora, por exemplo. Como resultado disso, demorei muito tempo rodando o lugar diversas vezes. E, ainda por cima, L não gosta de ler – então ele estava um pouco como um peixe fora d’água.

Em seguida, nós fomos comer alguma coisa. Eu escolhi uma maravilhosa taça de sorvete (era o meu dia livre da dieta!) e ele, um milk-shake. Depois que acabamos de comer, o shopping já estava fechando. Precisamos ir embora.

Estávamos com o meu carro, e quando cheguei no meu prédio, entrei na garagem. Ficamos nos encarando por alguns segundos. Novamente, ele não podia subir para o meu apartamento porque a minha mãe estava lá.

A ideia de fazer sexo dentro do carro, dessa vez na garagem e não na rua, passou pela cabeça de ambos. Eu disse que havia câmeras ali, que a roupa que eu estava usando era difícil de tirar e que já estava tarde demais e minha mãe acharia isso estranho. Ele não falou nada. Eu suspirei e disse: “ok, vamos, quinze minutos!!”.

Ele tirou a calça, já de pau duro (ótimo, não gosto quando os homens demoram demais para ficarem eretos) e colocou um preservativo. Eu tirei a roupa o mais rápido que pude. Não sei se durou quinze minutos… acho que talvez um pouco mais. E foi… surpreendentemente bom. Eu tive o meu primeiríssimo orgasmo com penetração vaginal. Mal pude acreditar. E gostei MUITO! Quero mais desses. Não sei por quê antes eu nunca conseguia gozar com penetração… talvez eu não estivesse suficientemente confortável. Confesso que nem sempre era prazeroso ser penetrada, e dessa vez foi, do começo até o final.

Ao término, estávamos extremamente suados e cansados. Liguei o carro para poder usar o ar condicionado. Ajudou bastante. Colocamos nossas roupas, subimos pela rampa da garagem, e nos despedimos na calçada.

Pouco antes do L se afastar, um carro surgiu e entrou na garagem do meu prédio – se o carro tivesse chegado cinco minutos antes, ele teria se deparado com uma cena pornográfica protagonizada por nós dois. Suspiramos aliviados. L foi até o carro dele, estacionado na rua, e partiu.

Eu retornei à garagem e verifiquei as câmeras (antes tarde do que nunca, não é o que dizem?)… nenhuma delas apontava para a direção do meu carro! Entrei no elevador, me olhei no espelho… e percebi que minha blusa estava do avesso. Não seria legal chegar em casa desse jeito. Arrumei a blusa.

 

Deitei na minha cama, abri o WhatsApp e agradeci L pelo orgasmo e pela paciência na livraria. Dormi.

 

 

P.S.: Os livros que comprei foram: Travessuras da menina má (este era o que estava encomendado), O segredo dos corpos e It – A coisa.

Quinta-feira, 5 de outubro

Eu fui convidada para uma festa de aniversário misturada com Halloween. As pessoas devem ir fantasiadas ou no tema “dark trevoso” (sério hahaha). Eu ainda não tenho a menor ideia do que vou vestir.

Hoje, eu passei pelo menos meia hora procurando um top maravilhosamente bizarro e sexy que eu tenho há alguns anos, sem sucesso. Eu estava pensando em usá-lo na festa. Como ele não estava em lugar nenhum, cheguei à conclusão de que eu o havia jogado fora, em um dos meus acessos de “boa garota”. Parecia possível, já que eu descartei o meu dichavador e minha máquina de enrolar cigarros (era vermelha, tão linda!).

Quando eu finalmente havia desistido da busca, meus neurônios decidiram cooperar e eu lembrei onde estava o maldito top. Fiquei muito contente por tê-lo encontrado. Aqui, uma foto dele:

 

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Pode não parecer, mas garanto que no corpo ele fica muito bonito.

 

Ah! E preciso fazer uma coisa: responder uma pessoa que me enviou um e-mail dia 21 de setembro pela aba “contatos” do blog. Foi a primeira vez que isso aconteceu, normalmente vocês deixam comentários.

Resposta:

Olá, A.R.,

De modo algum você está incomodando. Pelo contrário, fico muito contente toda vez que algum dos leitores resolve mandar um “oi”. Eu tenho um instagram sim, e é o único outro lugar onde publico minhas fotos. Porém, nele eu uso meu nome real e coloco fotos do meu rosto… por isso, infelizmente não posso passá-lo a você… Eu me exponho demais neste blog, e seria muito complicado se me associassem a ele. Isso é triste, porque gostaria muito de ser amiga de vários de vocês.

Você foi muito gentil, adorei ter recebido sua mensagem!

Beijos.

Amizade colorida

Olá!

 

Quero apresentar a vocês um novo personagem da minha história, o L. Nós nos conhecemos de modo um pouco não convencional, vejam só. Ele me adicionou no Facebook sem saber quem eu era, e, quando eu vi no perfil dele o nome da minha antiga faculdade de medicina, fiquei desconfiada e resolvi perguntar o que ele queria comigo. Afinal, eu tranquei o curso, não saí de lá em bons termos com a maioria das pessoas, deletei do meu Facebook quase todos os meus antigos colegas e não mantenho contato com ninguém. Boa coisa não podia ser.

Mandei mensagem perguntando quem ele era e o que ele queria comigo. No fim, eu estava errada, já que foi por um bom motivo que ele me adicionou sim. L havia visto o meu nome em alguns resumos de patologia que eu tinha feito e o pessoal ainda usava. Fiquei agradavelmente surpresa.

A partir deste meu pequeno e equivocado interrogatório, começamos a conversar no WhatsApp. Nós nos aproximamos bastante e foi bem divertido. Ele dizia ter interesse apenas na minha amizade, e, em determinado ponto, eu quase acreditei nele. Afinal, ele parecia gostar apenas daquelas meninas “bonitinhas”, sabem? Com o cabelo até a bunda, femininas, muito preocupadas com a aparência, de personalidade dócil e padrãozinho. E não há nada de errado em ser assim ou em querer se relacionar com pessoas assim, é apenas um perfil diferente do meu.

Após muita conversa pela internet, eu e L finalmente nos encontramos. Ele me chamou para sair, eu sugeri um bar gay do qual gosto muito, e ele topou. Durante todo o tempo, estava extremamente óbvio que L ia tentar me beijar. Ele usava qualquer desculpa para por a mão nos meus braços e coxas, fazia contato visual incessante…

No fim, o que aconteceu? Ele tentou me beijar. Que surpresa.

A princípio eu hesitei, afinal, amizades tendem a durar mais do que aventuras românticas – e ter um amigo na medicina seria algo extremamente valioso quando eu voltasse para o curso ano que vem. Mas, que diabos! A amizade foi para o espaço no instante em que ele tentou me beijar, não é mesmo?

Então, nos beijamos no bar. Fomos bem ousados – mãos em muitos lugares, gente!

Então, fomos embora. Entramos no carro dele e continuamos a nos beijar por mais algum tempo, em frente ao meu prédio. Não podíamos subir, porque a minha mãe estava na minha casa. E, veja que azar: L mora com a família.

De início, estávamos só brincando um pouco lá no carro. Nem parecia haver espaço para mais nada: era uma picape, apenas dois lugares, sem banco de trás. Horrível, não é? Porém, a coisa esquentou e demos um jeito! 😉 Foi a primeira vez de ambos dentro de um carro (preciso acrescentar isso à lista de coisas que já fiz). Nos divertimos bastante, e, quando terminou, estávamos horrivelmente suados e todas as janelas estavam embaçadas.

L diz que quer continuar sendo meu amigo. Apenas meu amigo. Eu não sei o que penso sobre isso… Eu não quero um relacionamento, mas é desagradável ouvir que a outra pessoa também não quer um, especialmente com você.

L quis segurar a minha mão enquanto me acompanhava até o portão do meu prédio. Eu recusei. Disse que ele não precisava fingir que gostava de mim.

Filhos.

Filhos. Eu não os terei tão cedo.

Essa é a boa notícia que tenho para dar após tantos dias longe do blog. A minha menstruação atrasou por três semanas, mas eu não estava grávida. Can I pop the champagne?

Eu fui até a farmácia –  sozinha – à procura de um teste de gravidez. Dei várias voltas no lugar sem achar o maldito teste nas prateleiras. Uma funcionária prestativa se aproximou de mim, comovida pela minha aparente confusão. Na hora em que ela perguntou o que eu buscava, engoli o constrangimento e disse. Ela me ajudou. Peguei o teste.

Ah, mas quem dera tivesse sido apenas isso. Magicamente, a funcionária prestativa transformou-se em intrometida. Ela me bombardeou com as perguntas mais invasivas possíveis: De quantas semanas você está? O seu marido já sabe? Foi planejado? Já sei! Você pode comprar dois sapatinhos de bebê e colocar junto com o teste para contar para o seu marido!

Eu sorri amarelo e respondi qualquer coisa, mas, por dentro, estava urrando de ódio. Eu não tenho a porra de um marido e nem quero ter! E, se estou comprando um teste de gravidez, é porque não sei se estou grávida, duh! Como saberia dizer de quantas semanas estou? Mas, PRINCIPALMENTE, essa funcionária não teve tato e nem sensibilidade diante de uma situação obviamente delicada. Bom senso é a coisa mais rara neste planeta.

 

M havia dito que iria comigo à farmácia comprar o tal teste, mas isso nunca se concretizou, foi apenas da boca para fora. Eu nunca achei que precisasse dele para isso, mas parecia a coisa certa a se fazer. Não conseguia achar justo que eu passasse por essa situação sozinha. Essas atitudes diferenciam homens de meninos, suponho.

Depois que eu contei que definitivamente não estava grávida, M foi parando de falar comigo aos poucos. Em dado momento, eu desisti de implorar por atenção e foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Agora, acredito que ele ainda esteja conversando pela internet com a garota de outra cidade que ele conheceu pelo Tinder (Natália). E eu? Bem, estou saindo com um garoto bonitinho da minha faculdade de medicina e praticando sexo 100% seguro. 😉

 

Terça-feira, 22 de agosto

Terminei as três primeiras temporadas de Game of Thrones. Estou pensando em ir ao supermercado comprar alguma bebida para tomar enquanto assisto a quarta. Talvez pipoca também.

Se eu tiver coragem, quem sabe eu passe na farmácia e compre um teste de gravidez. Estou morrendo de medo de dar positivo. Não queria ter que fazer isso sozinha.

Passar por essa situação desacompanhada faz com que eu me sinta um lixo, indigna do carinho de alguém. Eu sou tão desprezível, que mesmo diante de uma possível gravidez, fico só – ninguém vem me ajudar.

 

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