Amizade desgastada

ATENÇÃO: neste post, falo minhas opiniões sobre alguns assuntos polêmicos. Eu gostaria muito que isso não mudasse a relação que acredito ter conseguido construir com alguns de vocês. Se todo mundo pensasse igual, o mundo seria muito chato. E eu mesma não penso do mesmo jeito que há cinco anos – eu evoluí muito, ainda bem! Nada do que eu disse aqui é fixo, quero melhorar cada vez mais.

 

 

Olá.

Estou aqui para contar um pouco mais sobre o L. Dessa vez, as notícias não são tão boas.

A primeira coisa que tenho para dizer é que ele mudou depois que transamos. Antes, ele era educado, fofo e atencioso – depois, passou a ser ríspido e indiferente. Nunca havia passado pela experiência de alguém mudar de comportamento após o sexo… achei imaturo e canalha.

Eu sofri por isso? Não. Em nenhum momento eu cheguei a gostar dele, inclusive, mantive o pé atrás e rechacei todas as demonstrações de afeto que não me pareceram honestas. Querem um exemplo deste último caso? Um dia, sem eu ter perguntado nada, ele simplesmente soltou “eu namoraria você”, quase como se estivesse me dando um selo de qualidade que não pedi. Isso não é um pedido de namoro real, é apenas um gancho para fisgar a menina sem se comprometer! Não há propósito em se dizer algo do tipo a não ser criar falsas ilusões e machucar. Felizmente, estou em uma fase boa da minha vida, com confiança o suficiente para saber que NÃO quero um relacionamento – então, “bajulações” como essa me fazem dar risada.

A segunda coisa que quero compartilhar, é que descobri que nós não temos nada em comum. E não estou falando das coisas pequenas, estou falando das coisas grandes e importantes.

Logo no primeiro dia em que eu e L começamos a conversar, fiz questão de dizer que eu era feminista, para, caso ele fosse uma dessas pessoas que acha que somos “revoltadas com ódio de todos os homens”, ele pudesse cair fora logo. Pelo visto, minha tática não adiantou. Conto o que ele disse sobre mulheres e feministas no próximo post.

Ao longo de apenas uma semana, L disse coisas como: “bandidos merecem umas porradas, para ficarem espertos”, “eu sempre quis matar um ladrão a pancadas”, “o fato de fulano ser um cachorro (ele usou essa palavra para se referir a alguém que não trata bem as mulheres) não faz dele uma pessoa ruim”, “acho que sexo a três não é adequado, sou contra, porque esta é a minha visão de mundo”, “acredito que as pessoas não deveriam ter o direito ao suicídio, você, como médica, deveria concordar, e, inclusive, vou fazer uma campanha sobre o assunto para tentar mudar a ideia de pessoas que pensam como você (olha a prepotência…)”, “você tá achando que vou ser à favor de sexo a três? De drogas? De suicídio? Jamais. Isso são valores, não crenças”.

Nossa. Haja paciência.

Somando 2+2 é possível saber minhas opiniões sobre todos esses assuntos espinhosos, não é? Apenas, o oposto de tudo o que L disse. Para mim, criminosos são seres humanos (uau! que pensamento ousado!), e o contexto em que viveram deve sempre ser analisado. Também acho que presídios não deveriam ser punitivos, mas uma oportunidade de reabilitação. Atualmente, parece que eles apenas cospem as pessoas de volta na sociedade, mais sem rumo do que elas estavam antes de serem confinadas. Maltratar e humilhar uma mulher, acredito, diz muito sobre o caráter de uma pessoa. Se um ato sexual é consensual, envolve pessoas maiores de idade, que estão se divertindo… qual o mal que elas estão fazendo??? E acho que ele teve a profundidade emocional de uma colher de chá para analisar o suicídio… Saber se a vida vale ou não a pena ser vivida é uma questão filosófica antiga e muito poética. Mas, independentemente de qualquer filosofia, o mínimo que deveria ser permitido aos seres humanos é ter autonomia total sobre o próprio corpo, inclusive para se matar, caso assim o quisessem (provavelmente, seria de bom senso, antes passar por uma avaliação psiquiátrica, para descartar doenças como depressão, que poderiam nublar o julgamento do indivíduo…. ). E não, eu não sou “à favor do suicídio”. Sou à favor das pessoas terem autonomia sobre si mesmas, porque eu sei muito bem como é desesperadora a sensação de não ter o controle do seu próprio corpo ou do que vai acontecer com você. E quanto às drogas? O que é ou não uma droga varia muito entre culturas e épocas… Hoje em dia, o cigarro comum e o álcool são substâncias de abuso muito aceitas pela sociedade. Há países em que a liberação das drogas leves, acompanhada de INTENSA conscientização da população funcionou muito bem, como na Holanda. A proibição da maconha (que não causa overdose, tem um potencial de adicção quase nulo e, até hoje, não pode ser ligada a nenhum óbito) no Brasil sustenta o tráfico, que financia atividades muito piores e faz com que o produto que chega aos consumidores seja de péssima qualidade, por exemplo. Existem dezenas de outros argumentos muito bons para a descriminalização do uso da maconha, que não interessam no momento.

Minha intenção com esse textão, queridos leitores, não é polemizar. Eu adoro vocês, e vou continuar adorando, mesmo que a gente discorde em muitas dessas coisas. Já com o L, as coisas foram mais complicadas porque eu conversava com ele diariamente e porque ele julgava muitas atitudes minhas. Talvez, para um amigo próximo, a melhor coisa seja alguém pelo menos um pouco parecido com você. Eu tentei relevar todas essas diferenças entre nós dois, afinal, eu realmente queria um amigo, especialmente um na medicina, porque voltarei para o curso ano que vem, e lá é um ambiente muito inóspito. Também, me parecia intolerante parar de conversar com uma pessoa apenas por termos opiniões divergentes.

O que eu fiz? Evitei a todo custo assuntos polêmicos. Superficializei nossas conversas. Funcionou por um tempo.

Para terminar esse post gigantesco, que eu sei que está ficando chato, vou contar mais duas coisas que L fez das quais eu não gostei. Um dia, ele disse que não tinha ciúme de mim. Até aí tudo bem, tudo ótimo. O problema é que ele completou com a frase: “você é do povo”. Nem quis saber qual era a intenção dele com essa péssima colocação… Respondi: “Tá enganado, sou minha” e ficou por isso mesmo.

Porém… o que mais me irritou, foi quando eu comecei a contar que uma caloura minha da faculdade havia falado comigo, coisa que me deixou bem contente. Eu entrei na faculdade em 2012, ela em 2013 – por isso a chamei de caloura. Mas, ano que vem, eu não estudarei um ano na frente desta garota… ela reprovou o primeiro ano (não sei o motivo), e eu reprovei o quarto (por faltas, tive o pior e mais longo episódio depressão da minha vida), só que, além disso, tranquei dois anos para fazer o meu tratamento. L poderia ter dito qualquer coisa… podia ter perguntando quem era a garota, podia ter perguntado o que ela queria comigo, podia ter ignorado… mas resolveu cutucar a ferida: “ela não é mais sua caloura, é sua veterana”. Porra! Eu já havia dito a ele que era doloroso pensar em como meus antigos calouros agora estão na minha frente! Parece que o único objetivo dessa frase foi me humilhar um pouquinho… Depois, o filho da puta ainda se justificou dizendo que estava apenas falando “a verdade”. Eu não sou estúpida, eu sei que estou atrasada na faculdade! Não preciso ouvir comentários maldosos sobre isso vindos do nada.

 

Eu não sei se consegui passar o clima certo dessas situações que me chatearam, e, mesmo se passei, talvez vocês achem que foi “pouca coisa”. Mas, era eu que estava vivendo a história, e me senti bastante mal com tudo isso, e acho que é o sentimento que importa. Até o ponto em que parei essa narrativa, eu e L ainda estávamos nos falando.

 

Beijos, até outro dia.

 

PS: minha gata acabou de matar uma lagartixa que eu estava protegendo dela desde a noite passada. Por que ela foi descer do teto??? Pobrezinha. Estou arrasada. Eu gosto de lagartixas. Peguei o cadáver dela com uma folha de papel, fiz um envelope e deixei sob um vaso na minha sacada. Não quero jogá-la no lixo. Amanhã, quando foi dia, eu dou um jeito de colocá-la perto de uma árvore, ou coisa assim.

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Amizade colorida II

Há algumas semanas, eu disse ao L que precisava ir à livraria de um shopping aqui perto para pegar um livro que eu tinha encomendado. Ele se ofereceu para ir comigo – achei isso muito fofo.

Sábado a noite, me arrumei e fomos juntos até a livraria. Eu sou muito viciada em livros, e gosto de perambular olhando as estantes, tentando descobrir algum tesouro escondido – uma obra pouco conhecida e encantadora, por exemplo. Como resultado disso, demorei muito tempo rodando o lugar diversas vezes. E, ainda por cima, L não gosta de ler – então ele estava um pouco como um peixe fora d’água.

Em seguida, nós fomos comer alguma coisa. Eu escolhi uma maravilhosa taça de sorvete (era o meu dia livre da dieta!) e ele, um milk-shake. Depois que acabamos de comer, o shopping já estava fechando. Precisamos ir embora.

Estávamos com o meu carro, e quando cheguei no meu prédio, entrei na garagem. Ficamos nos encarando por alguns segundos. Novamente, ele não podia subir para o meu apartamento porque a minha mãe estava lá.

A ideia de fazer sexo dentro do carro, dessa vez na garagem e não na rua, passou pela cabeça de ambos. Eu disse que havia câmeras ali, que a roupa que eu estava usando era difícil de tirar e que já estava tarde demais e minha mãe acharia isso estranho. Ele não falou nada. Eu suspirei e disse: “ok, vamos, quinze minutos!!”.

Ele tirou a calça, já de pau duro (ótimo, não gosto quando os homens demoram demais para ficarem eretos) e colocou um preservativo. Eu tirei a roupa o mais rápido que pude. Não sei se durou quinze minutos… acho que talvez um pouco mais. E foi… surpreendentemente bom. Eu tive o meu primeiríssimo orgasmo com penetração vaginal. Mal pude acreditar. E gostei MUITO! Quero mais desses. Não sei por quê antes eu nunca conseguia gozar com penetração… talvez eu não estivesse suficientemente confortável. Confesso que nem sempre era prazeroso ser penetrada, e dessa vez foi, do começo até o final.

Ao término, estávamos extremamente suados e cansados. Liguei o carro para poder usar o ar condicionado. Ajudou bastante. Colocamos nossas roupas, subimos pela rampa da garagem, e nos despedimos na calçada.

Pouco antes do L se afastar, um carro surgiu e entrou na garagem do meu prédio – se o carro tivesse chegado cinco minutos antes, ele teria se deparado com uma cena pornográfica protagonizada por nós dois. Suspiramos aliviados. L foi até o carro dele, estacionado na rua, e partiu.

Eu retornei à garagem e verifiquei as câmeras (antes tarde do que nunca, não é o que dizem?)… nenhuma delas apontava para a direção do meu carro! Entrei no elevador, me olhei no espelho… e percebi que minha blusa estava do avesso. Não seria legal chegar em casa desse jeito. Arrumei a blusa.

 

Deitei na minha cama, abri o WhatsApp e agradeci L pelo orgasmo e pela paciência na livraria. Dormi.

 

 

P.S.: Os livros que comprei foram: Travessuras da menina má (este era o que estava encomendado), O segredo dos corpos e It – A coisa.

Quinta-feira, 5 de outubro

Eu fui convidada para uma festa de aniversário misturada com Halloween. As pessoas devem ir fantasiadas ou no tema “dark trevoso” (sério hahaha). Eu ainda não tenho a menor ideia do que vou vestir.

Hoje, eu passei pelo menos meia hora procurando um top maravilhosamente bizarro e sexy que eu tenho há alguns anos, sem sucesso. Eu estava pensando em usá-lo na festa. Como ele não estava em lugar nenhum, cheguei à conclusão de que eu o havia jogado fora, em um dos meus acessos de “boa garota”. Parecia possível, já que eu descartei o meu dichavador e minha máquina de enrolar cigarros (era vermelha, tão linda!).

Quando eu finalmente havia desistido da busca, meus neurônios decidiram cooperar e eu lembrei onde estava o maldito top. Fiquei muito contente por tê-lo encontrado. Aqui, uma foto dele:

 

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Pode não parecer, mas garanto que no corpo ele fica muito bonito.

 

Ah! E preciso fazer uma coisa: responder uma pessoa que me enviou um e-mail dia 21 de setembro pela aba “contatos” do blog. Foi a primeira vez que isso aconteceu, normalmente vocês deixam comentários.

Resposta:

Olá, A.R.,

De modo algum você está incomodando. Pelo contrário, fico muito contente toda vez que algum dos leitores resolve mandar um “oi”. Eu tenho um instagram sim, e é o único outro lugar onde publico minhas fotos. Porém, nele eu uso meu nome real e coloco fotos do meu rosto… por isso, infelizmente não posso passá-lo a você… Eu me exponho demais neste blog, e seria muito complicado se me associassem a ele. Isso é triste, porque gostaria muito de ser amiga de vários de vocês.

Você foi muito gentil, adorei ter recebido sua mensagem!

Beijos.

Amizade colorida

Olá!

 

Quero apresentar a vocês um novo personagem da minha história, o L. Nós nos conhecemos de modo um pouco não convencional, vejam só. Ele me adicionou no Facebook sem saber quem eu era, e, quando eu vi no perfil dele o nome da minha antiga faculdade de medicina, fiquei desconfiada e resolvi perguntar o que ele queria comigo. Afinal, eu tranquei o curso, não saí de lá em bons termos com a maioria das pessoas, deletei do meu Facebook quase todos os meus antigos colegas e não mantenho contato com ninguém. Boa coisa não podia ser.

Mandei mensagem perguntando quem ele era e o que ele queria comigo. No fim, eu estava errada, já que foi por um bom motivo que ele me adicionou sim. L havia visto o meu nome em alguns resumos de patologia que eu tinha feito e o pessoal ainda usava. Fiquei agradavelmente surpresa.

A partir deste meu pequeno e equivocado interrogatório, começamos a conversar no WhatsApp. Nós nos aproximamos bastante e foi bem divertido. Ele dizia ter interesse apenas na minha amizade, e, em determinado ponto, eu quase acreditei nele. Afinal, ele parecia gostar apenas daquelas meninas “bonitinhas”, sabem? Com o cabelo até a bunda, femininas, muito preocupadas com a aparência, de personalidade dócil e padrãozinho. E não há nada de errado em ser assim ou em querer se relacionar com pessoas assim, é apenas um perfil diferente do meu.

Após muita conversa pela internet, eu e L finalmente nos encontramos. Ele me chamou para sair, eu sugeri um bar gay do qual gosto muito, e ele topou. Durante todo o tempo, estava extremamente óbvio que L ia tentar me beijar. Ele usava qualquer desculpa para por a mão nos meus braços e coxas, fazia contato visual incessante…

No fim, o que aconteceu? Ele tentou me beijar. Que surpresa.

A princípio eu hesitei, afinal, amizades tendem a durar mais do que aventuras românticas – e ter um amigo na medicina seria algo extremamente valioso quando eu voltasse para o curso ano que vem. Mas, que diabos! A amizade foi para o espaço no instante em que ele tentou me beijar, não é mesmo?

Então, nos beijamos no bar. Fomos bem ousados – mãos em muitos lugares, gente!

Então, fomos embora. Entramos no carro dele e continuamos a nos beijar por mais algum tempo, em frente ao meu prédio. Não podíamos subir, porque a minha mãe estava na minha casa. E, veja que azar: L mora com a família.

De início, estávamos só brincando um pouco lá no carro. Nem parecia haver espaço para mais nada: era uma picape, apenas dois lugares, sem banco de trás. Horrível, não é? Porém, a coisa esquentou e demos um jeito! 😉 Foi a primeira vez de ambos dentro de um carro (preciso acrescentar isso à lista de coisas que já fiz). Nos divertimos bastante, e, quando terminou, estávamos horrivelmente suados e todas as janelas estavam embaçadas.

L diz que quer continuar sendo meu amigo. Apenas meu amigo. Eu não sei o que penso sobre isso… Eu não quero um relacionamento, mas é desagradável ouvir que a outra pessoa também não quer um, especialmente com você.

L quis segurar a minha mão enquanto me acompanhava até o portão do meu prédio. Eu recusei. Disse que ele não precisava fingir que gostava de mim.

Filhos.

Filhos. Eu não os terei tão cedo.

Essa é a boa notícia que tenho para dar após tantos dias longe do blog. A minha menstruação atrasou por três semanas, mas eu não estava grávida. Can I pop the champagne?

Eu fui até a farmácia –  sozinha – à procura de um teste de gravidez. Dei várias voltas no lugar sem achar o maldito teste nas prateleiras. Uma funcionária prestativa se aproximou de mim, comovida pela minha aparente confusão. Na hora em que ela perguntou o que eu buscava, engoli o constrangimento e disse. Ela me ajudou. Peguei o teste.

Ah, mas quem dera tivesse sido apenas isso. Magicamente, a funcionária prestativa transformou-se em intrometida. Ela me bombardeou com as perguntas mais invasivas possíveis: De quantas semanas você está? O seu marido já sabe? Foi planejado? Já sei! Você pode comprar dois sapatinhos de bebê e colocar junto com o teste para contar para o seu marido!

Eu sorri amarelo e respondi qualquer coisa, mas, por dentro, estava urrando de ódio. Eu não tenho a porra de um marido e nem quero ter! E, se estou comprando um teste de gravidez, é porque não sei se estou grávida, duh! Como saberia dizer de quantas semanas estou? Mas, PRINCIPALMENTE, essa funcionária não teve tato e nem sensibilidade diante de uma situação obviamente delicada. Bom senso é a coisa mais rara neste planeta.

 

M havia dito que iria comigo à farmácia comprar o tal teste, mas isso nunca se concretizou, foi apenas da boca para fora. Eu nunca achei que precisasse dele para isso, mas parecia a coisa certa a se fazer. Não conseguia achar justo que eu passasse por essa situação sozinha. Essas atitudes diferenciam homens de meninos, suponho.

Depois que eu contei que definitivamente não estava grávida, M foi parando de falar comigo aos poucos. Em dado momento, eu desisti de implorar por atenção e foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Agora, acredito que ele ainda esteja conversando pela internet com a garota de outra cidade que ele conheceu pelo Tinder (Natália). E eu? Bem, estou saindo com um garoto bonitinho da minha faculdade de medicina e praticando sexo 100% seguro. 😉

 

Terça-feira, 22 de agosto

Terminei as três primeiras temporadas de Game of Thrones. Estou pensando em ir ao supermercado comprar alguma bebida para tomar enquanto assisto a quarta. Talvez pipoca também.

Se eu tiver coragem, quem sabe eu passe na farmácia e compre um teste de gravidez. Estou morrendo de medo de dar positivo. Não queria ter que fazer isso sozinha.

Passar por essa situação desacompanhada faz com que eu me sinta um lixo, indigna do carinho de alguém. Eu sou tão desprezível, que mesmo diante de uma possível gravidez, fico só – ninguém vem me ajudar.

 

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Pentax K1000 – Kodak Pro Image ISO 100

Segunda-feira, 21 de agosto

Estou muito preocupada. Considerando que eu tenho um ciclo regular, de 28 dias (e eu não sei se tenho), minha menstruação está oito dias atrasada. E, há um mês, eu fiz sexo sem preservativo – apenas tomei contraceptivo de emergência, que não tem eficácia boa…

Eu não posso estar grávida. Sou nova demais para isso, não gosto de crianças, não gosto de bebês, não quero ter filhos, não quero ver minha barriga crescendo… Eu acho a gravidez e a maternidade períodos dificílimos, pelo quais eu não quero passar, não desejo me submeter a isso.

Eu sei, eu devia ter sido mais cuidadosa. Nunca disse que eu era inteligente.

Quando eu percebi que já fazia um longo tempo desde a minha última menstruação, entrei em pânico. Não conseguia dormir. Mandei uma mensagem para o M., afinal, é 50% problema dele e, principalmente, eu queria algum apoio. E ele não me respondeu. Visualizou minhas mensagens e não respondeu.

Ele não estava falando comigo há umas duas semanas, mas esse era um assunto sério! Eu não entendo por quê ele não me respondeu… Será que ele achou que eu estava mentindo para chamar a atenção dele?

Quase um dia inteiro depois, M me respondeu: “Tá grávida coisa nenhuma”.

Eu nunca me senti tão sozinha.

Acesso

Durante o final de 2015, eu tive o meu pior episódio depressivo. Eu fiquei completamente incapacitada por mais de um mês. Passava o dia todo de pijama, na cama, sem tomar banho, comendo lasanha congelada. Não conseguia me mover. Não conseguia pedir ajuda.

Duas coisas me ajudaram a aguentar esses dias: a certeza que eu tinha de que aquilo iria passar (afinal, os outros episódio depressivos mais leves que eu havia tido passaram…) e manter comprimidos potencialmente letais ao meu lado.

Eu deixava aqueles comprimidos próximos à janela do meu quarto, e eles traziam algum conforto à minha alma tão mutilada. Eu não queria usá-los… mas me confortava saber que, se a situação ficasse realmente insuportável, eu tinha como colocar um fim no meu sofrimento.

Ainda hoje, o meu modo de pensar não mudou totalmente. Não me desfiz de todas as minhas lâminas, por exemplo. É tranquilizador saber que, se eu estiver em crise, vou ter um mecanismo para aliviar a minha dor emocional.

Também, mantenho dois comprimidos de ecstasy e dois papéis de m-bomb (LSD piorado) no meu quarto. São a minha salvaguarda. Se eu precisar desconectar-me da realidade urgentemente, eles estão aqui, ao meu alcance.

Eu ainda preciso dessas muletas. Quem sabe, um dia, eu me veja livre delas. Por agora, pelo menos, eu posso afirmar que está sendo relativamente fácil não ter que recorrer a nenhuma.

Quinta-feira, 17 de agosto – um dia ruim

Hoje, assim que eu acordei, recebi no grupo do Whats App do inglês, uma mensagem do professor… Olhei e dei de cara com uma bebê razoavelmente bonitinha. Era a filha dele, que acabara de nascer.

Partiu o meu coração. Afinal, eu estava alimentando uma paixãozinha platônica e unilateral pelo meu professor. Por causa disso, fiquei mal durante a primeira metade do dia.

Eu sou realmente muito estúpida. Parece que o meu critério para gostar de alguém é que a pessoa esteja indisponível. Dá para ser mais masoquista?

Desanimei totalmente. Mas, como tinha várias coisas para fazer, tentei recuperar minhas energias. Tentei me distrair escrevendo e dormi um pouco.

 

No meio da tarde, recebi um e-mail contendo as fotos que eu mandei revelar terça-feira digitalizadas! Que ótimo – isso, com certeza, iria me alegrar! Na fotografia analógica, não podemos ver o resultado da foto que tiramos imediatamente, é preciso esperar dias… o filme precisa terminar, é preciso mandá-lo para o laboratório etc… É um processo muito gostoso, a antecipação torna tudo melhor. Só que dessa vez não foi assim.

Eu havia mandado revelar dois filmes, e algumas fotos de um dos filmes foram tiradas pela minha mãe. Eu não tinha a menor ideia do que ela havia fotografado. Quando abri os arquivos, vi que haviam fotos do meu cachorro… o meu cachorro que morreu há algumas semanas. Cara… isso me deixou muito mal. Ele estava vivo e feliz quando as fotos foram tiradas, mas morreu durante o intervalo de tempo que levamos para revelar o filme. Foi uma espécie de mini-cápsula do tempo infeliz.

Isso piorou o meu estado de humor e não saí de casa o dia inteiro. Deitei na cama e fiquei vendo o feed do Facebook com a minha gata deitada em cima das minhas pernas. Quando levantei, estava me sentindo uma merda por não ter feito as coisas que deveria.

 

Hoje não vai ter foto para ilustrar o post porque não estou de bom humor.

Hábito

Eu escrevo diários no papel desde os 14 anos. Esta semana, terminei o 28º caderno. Há quase uma década, eu preencho folhas e folhas com tudo o que passa pela minha cabeça. É o meu hábito mais antigo e constante.

Esse costume começou quando eu comprei um caderno apenas porque ele era bonito. Ele não tinha função, como o resto do meu material escolar; era muito pequeno, não servia para anotar coisas em sala de aula. Para não desperdiçá-lo, resolvi dar-lhe algum uso: seria um diário.

E foi o começo de um vício.

A primeira página do meu primeiro diário diz:

“14/03/2009

Cortei meu cabelo quinta! Dia 12. Curtinho.”

Até então, eu tinha cabelos longos, mas queria cortá-los já há algum tempo. E, veja só, essa é outra coisa que mantenho até hoje: o cabelo curto, nunca abaixo dos ombros.

Agora, eu uso Moleskines pretos como diários. Meus textos ficaram mais interessante, à medida em que a minha vida também ficou. E, apenas recentemente, estou tendo mais cuidado com a forma do que escrevo: ando me esforçando para fazer escritos de qualidade.

 

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Meu 29º diário

 

Escrever é tão bom, tão natural. Eu quase vomito as palavras, às vezes. É como se eu estivesse conversando com o amigo perfeito, que é sempre compreensivo, acolhedor, interessado e empático…

Jamais deixarei de registrar o que acontece na minha vida. Eu tenho a arrogância de achar que tudo que ocorre comigo é muito interessante e merece ficar gravado para sempre. Além do que, será muito divertido ler todas essas divagações quando eu for mais velha!

 

Beijos,

SS.