Segunda-feira, 21 de agosto

Estou muito preocupada. Considerando que eu tenho um ciclo regular, de 28 dias (e eu não sei se tenho), minha menstruação está oito dias atrasada. E, há um mês, eu fiz sexo sem preservativo – apenas tomei contraceptivo de emergência, que não tem eficácia boa…

Eu não posso estar grávida. Sou nova demais para isso, não gosto de crianças, não gosto de bebês, não quero ter filhos, não quero ver minha barriga crescendo… Eu acho a gravidez e a maternidade períodos dificílimos, pelo quais eu não quero passar, não desejo me submeter a isso.

Eu sei, eu devia ter sido mais cuidadosa. Nunca disse que eu era inteligente.

Quando eu percebi que já fazia um longo tempo desde a minha última menstruação, entrei em pânico. Não conseguia dormir. Mandei uma mensagem para o M., afinal, é 50% problema dele e, principalmente, eu queria algum apoio. E ele não me respondeu. Visualizou minhas mensagens e não respondeu.

Ele não estava falando comigo há umas duas semanas, mas esse era um assunto sério! Eu não entendo por quê ele não me respondeu… Será que ele achou que eu estava mentindo para chamar a atenção dele?

Quase um dia inteiro depois, M me respondeu: “Tá grávida coisa nenhuma”.

Eu nunca me senti tão sozinha.

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Acesso

Durante o final de 2015, eu tive o meu pior episódio depressivo. Eu fiquei completamente incapacitada por mais de um mês. Passava o dia todo de pijama, na cama, sem tomar banho, comendo lasanha congelada. Não conseguia me mover. Não conseguia pedir ajuda.

Duas coisas me ajudaram a aguentar esses dias: a certeza que eu tinha de que aquilo iria passar (afinal, os outros episódio depressivos mais leves que eu havia tido passaram…) e manter comprimidos potencialmente letais ao meu lado.

Eu deixava aqueles comprimidos próximos à janela do meu quarto, e eles traziam algum conforto à minha alma tão mutilada. Eu não queria usá-los… mas me confortava saber que, se a situação ficasse realmente insuportável, eu tinha como colocar um fim no meu sofrimento.

Ainda hoje, o meu modo de pensar não mudou totalmente. Não me desfiz de todas as minhas lâminas, por exemplo. É tranquilizador saber que, se eu estiver em crise, vou ter um mecanismo para aliviar a minha dor emocional.

Também, mantenho dois comprimidos de ecstasy e dois papéis de m-bomb (LSD piorado) no meu quarto. São a minha salvaguarda. Se eu precisar desconectar-me da realidade urgentemente, eles estão aqui, ao meu alcance.

Eu ainda preciso dessas muletas. Quem sabe, um dia, eu me veja livre delas. Por agora, pelo menos, eu posso afirmar que está sendo relativamente fácil não ter que recorrer a nenhuma.

Quinta-feira, 17 de agosto – um dia ruim

Hoje, assim que eu acordei, recebi no grupo do Whats App do inglês, uma mensagem do professor… Olhei e dei de cara com uma bebê razoavelmente bonitinha. Era a filha dele, que acabara de nascer.

Partiu o meu coração. Afinal, eu estava alimentando uma paixãozinha platônica e unilateral pelo meu professor. Por causa disso, fiquei mal durante a primeira metade do dia.

Eu sou realmente muito estúpida. Parece que o meu critério para gostar de alguém é que a pessoa esteja indisponível. Dá para ser mais masoquista?

Desanimei totalmente. Mas, como tinha várias coisas para fazer, tentei recuperar minhas energias. Tentei me distrair escrevendo e dormi um pouco.

 

No meio da tarde, recebi um e-mail contendo as fotos que eu mandei revelar terça-feira digitalizadas! Que ótimo – isso, com certeza, iria me alegrar! Na fotografia analógica, não podemos ver o resultado da foto que tiramos imediatamente, é preciso esperar dias… o filme precisa terminar, é preciso mandá-lo para o laboratório etc… É um processo muito gostoso, a antecipação torna tudo melhor. Só que dessa vez não foi assim.

Eu havia mandado revelar dois filmes, e algumas fotos de um dos filmes foram tiradas pela minha mãe. Eu não tinha a menor ideia do que ela havia fotografado. Quando abri os arquivos, vi que haviam fotos do meu cachorro… o meu cachorro que morreu há algumas semanas. Cara… isso me deixou muito mal. Ele estava vivo e feliz quando as fotos foram tiradas, mas morreu durante o intervalo de tempo que levamos para revelar o filme. Foi uma espécie de mini-cápsula do tempo infeliz.

Isso piorou o meu estado de humor e não saí de casa o dia inteiro. Deitei na cama e fiquei vendo o feed do Facebook com a minha gata deitada em cima das minhas pernas. Quando levantei, estava me sentindo uma merda por não ter feito as coisas que deveria.

 

Hoje não vai ter foto para ilustrar o post porque não estou de bom humor.

Hábito

Eu escrevo diários no papel desde os 14 anos. Esta semana, terminei o 28º caderno. Há quase uma década, eu preencho folhas e folhas com tudo o que passa pela minha cabeça. É o meu hábito mais antigo e constante.

Esse costume começou quando eu comprei um caderno apenas porque ele era bonito. Ele não tinha função, como o resto do meu material escolar; era muito pequeno, não servia para anotar coisas em sala de aula. Para não desperdiçá-lo, resolvi dar-lhe algum uso: seria um diário.

E foi o começo de um vício.

A primeira página do meu primeiro diário diz:

“14/03/2009

Cortei meu cabelo quinta! Dia 12. Curtinho.”

Até então, eu tinha cabelos longos, mas queria cortá-los já há algum tempo. E, veja só, essa é outra coisa que mantenho até hoje: o cabelo curto, nunca abaixo dos ombros.

Agora, eu uso Moleskines pretos como diários. Meus textos ficaram mais interessante, à medida em que a minha vida também ficou. E, apenas recentemente, estou tendo mais cuidado com a forma do que escrevo: ando me esforçando para fazer escritos de qualidade.

 

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Meu 29º diário

 

Escrever é tão bom, tão natural. Eu quase vomito as palavras, às vezes. É como se eu estivesse conversando com o amigo perfeito, que é sempre compreensivo, acolhedor, interessado e empático…

Jamais deixarei de registrar o que acontece na minha vida. Eu tenho a arrogância de achar que tudo que ocorre comigo é muito interessante e merece ficar gravado para sempre. Além do que, será muito divertido ler todas essas divagações quando eu for mais velha!

 

Beijos,

SS.

Papel do doente

Em sociologia médica, existe algo chamado “papel do doente” ou “sick role”. Eu aprendi sobre esse conceito nas minhas aulas de sociologia do primeiro ano da faculdade de medicina, e quero explicar mais ou menos o que é isso para vocês, para depois poder falar sobre algo que ando sentindo nas últimas semanas.

Basicamente, o papel do doente consiste no conjunto de direitos e obrigações da pessoa enferma. Isso acontece porque a pessoa doente não é um membro produtivo da comunidade, e há expectativas da sociedade de como ela irá agir, portando o comportamento dela precisa ser regulamentado por um médico.

É o médico quem valida a doença da pessoa. Alguém não pode simplesmente decidir por si só desempenhar o “sick role”. Uma vez validada, a pessoa tem os seguintes direitos e deveres:

Direitos

– A pessoa doente está isenta dos papéis sociais usuais

– A pessoa doente não é responsável pela sua condição

Obrigações

– A pessoa doente deve tentar melhorar

– A pessoa doente deve procurar ajuda competente e cooperar com os profissionais da saúde

 

Parece razoável, não?

Infelizmente – e agora eu começo a falar sobre as minhas experiências pessoais – eu não tive facilidade para desempenhar o “papel do doente”… não pude exercer os meus direitos por um longo tempo. Depressão é uma doença pouco compreendida pelas pessoas, e muitos me culpavam por não conseguir desempenhar minhas funções na sociedade. Muitos me julgavam preguiçosa. Alguns, inclusive, diziam que meu problema era falta de fé. Que absurdo, não?

No último ano, eu tenho estado afastada da maioria das minhas atividades, e cercada de pessoas que me compreendem e me ajudam, ou seja, estive exercendo meus direitos do “sick role”. Tudo perfeito.

Porém, recentemente, surgiu um problema: eu não sei se quero melhorar. Como assim? Calma que eu explico.

Veja bem, da depressão eu quero melhorar, claro. Ter um episódio depressivo é a situação mais desesperadora pela qual alguém pode passar. Eu não desejo isso para a pessoa que eu mais odeio.

Só que, eu não sei se quero deixar de preencher critério para Transtorno de Personalidade Borderline, o que eventualmente acontece, com a idade ou com o tratamento adequado. Eu tenho até vergonha de dizer isso, porque não é o que a sociedade espera de mim: se eu estou doente, devo querer melhorar, sempre!

Porém, às vezes, eu tenho carinho pelo meu transtorno. Ele me faz diferente, especial. É difícil se desvencilhar dessa sensação.

Além disso, eu tenho pavor de me tornar como as outras pessoas! Eu olho ao meu redor, e toda essa gente é tão sem graça, tão assustadoramente tediosa… Eu morreria se fosse assim! Eu preciso do meu batom vermelho sangue, de lágrimas, angústia, drama, adrenalina… sem isso eu não me sinto viva.

Por essas razões, nas últimas semanas, eu tenho ficado triste todas as vezes em que me percebo mais calma e sensata. Cadê a raiva, cadê a impulsividade? Eu acho as pessoas à minha volta tão aborrecidas, não quero ser como elas! Não quero deixar de ser eu mesma!

 

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Olympus mju I – Kodak ProImage ISO 100

Compulsão

Uma coisa boa dos últimos tempos é que parei com uma prática terrível que estava ameaçando se tornar um hábito. Induzir o vômito após as refeições.

No final de 2015, eu estava tão mentalmente debilitada que encontrava a cada semana novas formas de me machucar. O vômito forçado foi uma delas.

Digo que foi uma forma de me prejudicar, e não de emagrecer, porque desde as minhas aulas de psiquiatria eu sabia que vomitar a comida não era um jeito eficiente de perder peso. Bulímicas geralmente têm o peso normal ou levemente aumentado.

Vou contar um pouco do meu ritual para vocês. Não é bonito.

Primeiro, eu comia desenfreadamente, como já vinha acontecendo há alguns meses. Eu estava tão deprimida que não conseguia sentir alegria com quase nada, e a comida era a única fonte de prazer que me restava.

Quando à isso se somou o estresse da possibilidade da minha Universidade recusar o meu atestado de depressão e eu repetir de ano, as compulsões alimentares ficaram mais frequentes. E, após cada episódio, eu sentia muita culpa e muito arrependimento. Tanto, que eu precisava me punir por esse exagero. Eu precisava me punir por ser uma idiota que ia repetir de ano.

Então, eu colocava meu rosto a centímetros do vaso sanitário fedido, enfiava meus dedos no fundo da garganta e sentia meu estômago expulsar todo o seu conteúdo, o meu esôfago se contrair e um jato bilioso e amargo chegar à minha boca. Era repulsivo ver os pedaços de comida parcialmente digeridos caindo, sentir a água respingando no meu rosto; enquanto eu estava ajoelhada no chão sujo de um banheiro que nem sempre era o da minha casa.

Aprender a fazer isso não foi fácil. Tocar o fundo da garganta com as pontas dos dedos, entre engasgos, requer disciplina. Você está maltratando deliberadamente o seu próprio corpo.

Hoje, eu tenho mais carinho por mim mesma. Quase não tenho acessos em que ataco desesperadamente a comida e, quando os tenho, não me martirizo. Eu sei que estou fazendo o meu melhor e que não mereço mais coisas ruins do que a parcela inevitável que a vida me reserva.

 

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Sábado, 12 de agosto

Hoje foi um dia extraordinariamente pacato. Acordei com o som do despertador. Fiquei deitada por mais um tempo. A minha gata estava dormindo ao meu lado, e lá ficou até eu me levantar.

Preparei-me para ir à primeira aula do francês, que começava às 14h. Estava com um pouco de preguiça, mas consegui ir mesmo assim.

A minha professora é uma mulher do sul da França que às vezes me assusta um pouco… Ela é a dona da Aliança Francesa. Porém, a aula foi surpreendentemente boa e tranquila.

Só há dois homens na sala, e nenhum deles é particularmente bonito ou inteligente, pelo que pude perceber neste breve contato. Que pena: eu estou precisando de alguém por quem eu pudesse me apaixonar.

Uma mulher com jeito de sonsa, em determinado momento, apontou para a minha bolsa e disse: “que bonitinha!” Isso me irritou. Minha bolsa não é “bonitinha”, ela é Prada.

 

Depois do francês, tomei  um sorvete e passeei pela Universidade, tirando fotos. Algumas das fotos foram tiradas com filme e precisam ser reveladas antes que eu possa mostrá-las a vocês, mas três foram tiradas com a minha Instax, que é uma câmera instantânea, então vocês já podem vê-las.

 

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Instax mini 8 – Aliança Francesa (foto à esquerda) e Universidade (duas fotos à direita)

 

A Instax Mini é uma câmera bem divertida, e tudo parece ficar mais fofo nela. Recomendo a compra. Os filmes são um pouco caros, cerca de 70 reais o pack com 20 poses, mas se você tiver uma folga no orçamento e estiver procurando um hobby, é uma ideia interessante.

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Minha Instax mini 8, cor framboesa

 

 

Ah! O meu professor de inglês, que eu acho bonitinho, me enviou material para estudo hoje. Ele lembrou de mim! Aiai… infelizmente essa relação será, para sempre, platônica.

 

Durante o período da noite, eu escrevi para as editoras cujo perfil se adequaria ao livro que eu quero publicar. Escrevi, inclusive, uma proposta de uma página, me apresentando e contando um pouco da minha história.

Estou desesperadamente tentando chamar a atenção de alguma editora… Morro de medo de que alguém publique um livro sobre Transtorno de Personalidade Borderline primeiro do que eu.

 

 

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Borderline na mídia

Recentemente, houve o caso do filho de uma desembargadora, que usou o Transtorno de  Personalidade Borderline (TPB) para se ver livre do presídio. A situação é polêmica e tem ares de malandragem.

Mas, como seria de se esperar, isso fez com que o público se interessasse por saber o que  é o tal do Transtorno de Personalidade Borderline, que é, de fato, bem pouco conhecido. Em resposta a esse interesse, surgiu, na mídia nacional, uma matéria explicando o TPB, e eu vim mostrá-la a  vocês.

 

Ela é do dia 8 de agosto e foi feita pela Veja.

Você sabe o que é transtorno borderline?

Primeiro, o nome no título da matéria está incorreto. Não é “transtorno borderline”, mas  sim, Transtorno de Personalidade Borderline.

A imagem usada pela revista, de um antebraço com diversos cortes, é forte e desagradável, mas eu gostei da decisão de usá-la. Amenizar a realidade e não falar de temas pesados como a auto-mutilação e o suicídio só aumenta o tabu ao redor deles. Assim, diminuiem as chances de alguém com esses problemas sequer conseguir falar abertamente sobre o que está passando.

Eles mencionam brevemente o tratamento da condição, indicando que ele é farmacológico E psicoterápico (uma modalidade não exclui a outra). Ainda, ressaltam que  o diagnóstico do transtorno só pode ser feito por um psiquiatra, o que é excelente nessa época em que o Dr Google é tão consultado.

Eu critico o uso da expressão “acessos injustificáveis de raiva” pela jornalista. O certo seria dizer que os paciente possuem “acessos desproporcionais de raiva”.

Sempre vai haver uma justificativa para a raiva do paciente borderline – nós não ficamos enraivecidos do nada. A diferença é que, perante a mesma situação, uma pessoa sem o transtorno ficaria apenas aborrecida, enquanto a borderline fica completamente irada.

Isso acontece porque as pessoas com TPB são mais sensíveis – elas sentem as ofensas de forma muito mais intensas. Logo, pela perspectiva do borderline, aquela pessoa que foi um pouco ríspida com ele, mereceu ser mandada para aquele lugar SIM! Afinal, os sentimentos da pessoa borderline foram profundamente feridos por aquela rispidez mínima… Sob a perspectiva do borderline, a raiva É justificada.

Ser tão sensível perante o mundo e tão intenso na expressão dos seus sentimentos é muito difícil. Isso causa uma incapacidade muito grande para controlar a raiva.

 

 

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Sonhos e martini

Hoje eu escrevi uma mensagem para o perfil do Facebook da Companhia das Letras, pedindo que olhem o meu blog e considerem publicá-lo como livro. Acho que, no momento, este é o meu maior sonho.

A Companhia das Letras é uma editora particularmente especial para mim. Eu a idolatro. Eu sou uma leitora voraz, e os livros das Companhia chamam a atenção pela qualidade do acabamento. E, como se não bastasse, os autores cujas obras integram o catálogo da editora são muito bem escolhidos: Milan Kundera, Jorge Amado, Oliver Sacks, Bill Bryson, Vinicius de Moraes, Andrew Solomon… Só para citar alguns. É muita gente de peso.

Porém, o meu amor pela Companhia das Letras começou de forma mais ingênua, quando eu tinha apenas 8 anos. Foi por meio da coleção Mortos de Fama, que narra a biografia de grandes personagens da história para o público juvenil. Em poucas semanas eu estava me sentindo amiga íntima de personagens como sir Isaac Newton, Leonardo da Vinci e Cleopatra.

Eu sei que as chances de sequer olharem o meu blog são pequenas. De gostarem dele, então, minúsculas! Mesmo assim, eu não vou desistir tão facilmente.

Nesse espírito, peço a vocês um grande favor: enviem uma mensagem para o perfil da Companhia das Letra no Facebook, pedindo que olhem o meu blog, e dizendo por quê vocês gostam de ler o que eu escrevo e por quê vocês acham eu deveria ser publicada. Significaria muito para mim.

Obrigada.

https://www.facebook.com/companhiadasletras/

 

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Pentax K1000, Kodak Pro Image

 

Enquanto a hora de virar livro não chega, eu tomo martini sozinha em casa. Estou pensando em sair hoje, mas ainda não decidi… a última vez que fui para a balada foi tão desastrosa que estou com medo de que tudo aquilo se repita.

 

Beijos,

SS.

 

Pelo direito de ser promíscua sem julgamento moral!

Proibido pela censura, o decoro e a moral. Liberado e praticado pelo gosto geral (…) Indecente é você ter que ficar despido de cultura. Daí não tem jeito quando a coisa fica dura. Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral! A barriga pelada é que é a vergonha nacional.

– Pelado, Ultraje a Rigor

 

Essa música do Ultraje define perfeitamente a minha opinião sobre sexo. Eu poderia apenas colocar o vídeo dela aqui e não escrever nada. Porém, vou contextualizar a minha insatisfação com a maneira com que o sexo é tratado pela sociedade (hipócrita, diga-se de passagem).

Eu já vi, mais de uma vez, a palavra “promiscuidade” ser usada para se referir a pessoas com transtorno de personalidade borderline e, também, por uma médica para se referir a mim. Isso me chateou imensamente na época, e ainda chateia. Machucou.

Quando chamamos alguém de promíscua, isto é invariavelmente negativo. A palavra tem uma carga moral muito forte. E eu, pelo menos, não quero viver de acordo com a moralidade e as doutrinas de outras pessoas.

Afinal, o que significa PROMISCUIDADE? Recorri à fonte de todo o saber, a Wikipédia.

 

Promiscuidade:

– Relacionamento sexual sem regras (alguém aqui gosta de sexo cheio de regras??);

– Sexo casual (não vejo nada de errado nisso);

– Característica da pessoa sem inibições sexuais, cujo prazer esta acima de preconceitos, tabus religiosos e valores morais (NADA MELHOR, NÃO É MESMO?)

 

Depois disso, eu só posso chegar à conclusão de que “promíscua” deveria ser um elogio. Agora, quer saber o que significa “pudor”?

– Vergonha, constrangimento, de base geralmente cultural, para falar a respeito ou praticar determinados atos ligados à área da sexualidade, das funções fisiológicas, dos sentimentos íntimos, da afetividade etc

Meu. Pudor é algo que impede as pessoas de falarem não só de sexo, mas até de funções FISIOLÓGICAS, como menstruação, por exemplo! Por culpa disso há tantos tabus relacionados ao nosso corpo e a coisas completamente normais.

Por culpa dessas coisas, pudor e vergonha, pais deixam de falar com os filhos sobre menstruação e sobre sexo, assim como foi comigo. O que aconteceu? Aprendi tudo errado, sozinha. Posso até exemplificar com outro trecho de uma música do Ultraje, esta chamada Sexo!

Hoje vai passar um filme na TV que eu já vi no cinema
Êpa!? Mutilaram o filme, cortaram uma cena
E só porque aparecia uma coisa que todo mundo conhece
E se não conhece ainda vai conhecer (…)

Bom, vá lá, vai ver que é pelas crianças
Mas quem essa besta pensa que é pra decidir?
Depois aprende por aí que nem eu aprendi
Tão distorcido que é uma sorte eu não ser pervertido

 

Sexo deveria ser tão normal quanto respirar, comer, fazer xixi… É apenas mais uma função fisiológica do nosso corpo, apenas mais um ato de intimidade entre duas (ou mais) pessoas, apenas mais um jeito de obter prazer.