Pelo direito de ser promíscua sem julgamento moral!

Proibido pela censura, o decoro e a moral. Liberado e praticado pelo gosto geral (…) Indecente é você ter que ficar despido de cultura. Daí não tem jeito quando a coisa fica dura. Sem roupa, sem saúda, sem cada, tudo é tão imoral! A barriga pelada é que é a vergonha nacional.

– Pelado, Ultraje a Rigor

 

Essa música do Ultraje define perfeitamente a minha opinião sobre sexo. Eu poderia apenas colocar o vídeo dela aqui e não escrever nada. Porém, vou contextualizar a minha insatisfação com a maneira com que o sexo é tratado pela sociedade (hipócrita, diga-se de passagem).

Eu já vi, mais de uma vez, a palavra “promiscuidade” ser usada para se referir a pessoas com transtorno de personalidade borderline e, também, por uma médica para se referir a mim. Isso me chateou imensamente na época, e ainda chateia. Machucou.

Quando chamamos alguém de promíscua, isto é invariavelmente negativo. A palavra tem uma carga moral muito forte. E, eu, pelo menos, não quero viver de acordo com a moralidade e as doutrinas de outras pessoas.

Afinal, o que significa PROMISCUIDADE? Recorri à fonte de todo o saber, a Wikipédia.

 

Promiscuidade:

– Relacionamento sexual sem regras (alguém aqui gosta de sexo cheio de regras??);

– Sexo casual (não vejo nada de errado nisso);

– Característica da pessoa sem inibições sexuais, cujo prazer esta acima de preconceitos, tabus religiosos e valores morais (NADA MELHOR, NÃO É MESMO?)

 

Depois disso, eu só posso chegar à conclusão de que “promíscua” deveria ser um elogio. Agora, quer saber o que significa “pudor”?

– Vergonha, constrangimento, de base geralmente cultural, para falar a respeito ou praticar determinados atos ligados à área da sexualidade, das funções fisiológicas, dos sentimentos íntimos, da afetividade etc

Meu. Pudor é algo que impede as pessoas de falarem não só de sexo, mas até de funções FISIOLÓGICAS, como menstruação, por exemplo! Por culpa disso há tantos tabus relacionados ao nosso corpo e a coisas completamente normais.

Por culpa dessas coisas, pudor e vergonha, pais deixam de falar com os filhos sobre menstruação e sobre sexo, assim como foi comigo. O que aconteceu? Aprendi tudo errado, sozinha. Posso até exemplificar com outro trecho de uma música do Ultraje, esta chamada Sexo!

Hoje vai passar um filme na TV que eu já vi no cinema
Êpa!? Mutilaram o filme, cortaram uma cena
E só porque aparecia uma coisa que todo mundo conhece
E se não conhece ainda vai conhecer (…)

Bom, vá lá, vai ver que é pelas crianças
Mas quem essa besta pensa que é pra decidir?
Depois aprende por aí que nem eu aprendi
Tão distorcido que é uma sorte eu não ser pervertido

 

Sexo deveria ser tão normal quanto respirar, comer, fazer xixi… É apenas mais uma função fisiológica do nosso corpo, apenas mais um ato de intimidade entre duas (ou mais) pessoas, apenas mais um jeito de obter prazer.

Remédio: RITALINA®

Eu nunca falei sobre quais remédios tomo ou deixo de tomar aqui no blog, porque detesto ver pessoas procurando informação sobre isso online: elas deveriam se informar com médicos, ou seja, com alguém capaz de prover informações 100% corretas, integradas aos outros aspectos do tratamento, personalizadas para o paciente e baseadas em anos de estudos, experiência pessoal e estudos clínicos (pelo menos na teoria, porque eu sei bem como foi difícil encontrar uma médica boa e capaz, que é a responsável pelo meu tratamento hoje – gosto muito dela).

Apesar disso, hoje vou falar sobre um dos medicamentos que eu tomo. Não vou destrinchar a parte médica (afinal, como já disse, acho isso errado), vou apenas dizer qual é a minha relação com ele.

 

Já há algum tempo, eu tomo a famosa Ritalina®, nome comercial do metilfenidato. Ela ficou conhecida por ser usada no tratamento farmacológico de TDAH (o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e como substância de abuso, usada por estudantes em época de vestibular, por exemplo, que desejavam aumentar sua capacidade de concentração e estudo.

Acontece que TDAH é algo controverso. Alguns duvidam até de que seja um transtorno real e afirmam que o diagnóstico é subjetivo demais, e que a situação toda pode tratar-se apenas de pais desejosos de maior docilidade por parte de seus filhos. Bem, independente disso, é fato que ele foi um diagnóstico da moda.

Muita gente gostava de justificar as notas baixas do filhos com o “tal do déficit de atenção”, quando o problema podia estar em outro lugar: falha na metodologia das escolas, mau comportamento, ambiente familiar complicado etc. Afinal, é mais fácil acreditar que uma “pílula mágica”, a Ritalina, vai resolver tudo; ou que o problema está em algo externo, não, por exemplo, na falta de atenção que damos aos nossos filhos.

E, mesmo os médicos, estavam fazendo em demasia o diagnóstico de TDAH. Provavelmente, patologizando um comportamento normal.

Como resultado, o TDAH ficou desacreditado. As famílias que possuem filhos com o transtorno sofrem muito, pois estão batalhando contra uma doença que, segundo a muitos, sequer existe. A Ritalina ganhou má fama: transforma crianças em zumbis. Mentira. Se for usada com a indicação correta, deixa as crianças mais felizes, capazes de se concentrar e com maior auto-estima.

Explicado um pouco sobre a Ritalina no contexto do TDAH, vamos para o universo dos concurseiros e vestibulandos. Aí, já começa mal: a Ritalina é obtida ilegalmente, por meio da internet, de traficantes, de farmacêuticos…

O objetivo dos estudantes que tomam a Ritalina é conseguir passar noites em claro estudando, aumentar a capacidade de concentração e a atenção para, no fim, conseguir aprender mais conteúdo em menos tempo. (Isso me faz pensar na pressão desumana a que submetemos muitos vestibulandos…)

Isso é uma grande merda. A ritalina pode aumentar a quantidade que alguém estuda, mas, em pessoas sem indicação para seu uso, ela não aumentará a qualidade do estudo. E, além disso, pode provocar crises de ansiedade, o que já costuma ser um problema em vestibulandos. Também, diminuir o tempo de sono é uma cilada: ele é essencial para a fixação do conteúdo aprendido durante o dia.

 

Todas essas coisas envolvem a Ritalina de rumores péssimos. Droga de abuso. Substância usada para frear a criatividade das crianças. Transforma as pessoas em zumbis. Receitada em excesso pelos médicos. A falsa pílula da inteligência. Vendida por traficantes. Usada por quem tem TDAH, aquele transtorno que nem existe, de crianças “problemáticas” (pelo amor de deus, essa não é a minha opinião, estou jogando aqui com a opinião pública de quem desconhece completamente esses assuntos).

Essas coisas, infelizmente, causam em mim vergonha de tomar a Ritalina. Eu, muitas vezes, pulava esse comprimido, pela manhã. Simplesmente não conseguia encará-lo. Se alguém me pergunta que remédios eu tomo, não tenho vergonha de falar sobre os antidepressivos, ou sobre os estabilizadores de humor… mas sobre a Ritalina eu tenho. Isso porque, no meu caso, a Ritalina foi prescrita por uma excelente psiquiatra, uma médica em quem confio muito.

Não tenho TDAH. Eu estava apenas me sentindo desanimada, mesmo com os antidepressivos, por isso a Ritalina foi introduzida. Ela não trata depressão, assim como tomar um analgésico para a dor não trata o que está causando a dor… que pode ser um apêndice inflamado, por exemplo (nesse caso, o tratamento seria remover o apêndice – no meu caso, o tratamento para a depressão é tomar os antidepressivos e fazer psicoterapia). Porém, enquanto eu não melhoro 100% da depressão, a Ritalina está me ajudando bastante a conseguir levantar da cama, ir à academia e etc.

Já chega de sentir vergonha de tomar um medicamento que me ajuda, não é? Basta.

 

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Pentax K1000, Kodak Pro Image, Bonito – MS

Quinta-feira, 10 de agosto

Eu estou me comportando. Não estou bebendo, não estou usando drogas, não estou transando com ninguém, não estou me cortando. Parece que eu vou morrer. Não há nenhum lugar para onde canalizar minha energia “destrutiva”.

Talvez eu saia sexta-feira. Quem sabe?

 

De resto, hoje foi um dia bom. Fui à academia. Fui ao inglês. Diverti-me muito. Ajuda passar o tempo com outras pessoas, tira o foco de mim mesma. Ontem, eu estava tão sozinha que até comprei Dramin (se tomar muitos comprimidos, causa uma sensação ruim, que, para mim, é quase o equivalente a se cortar e, se tomar ainda mais, causa alucinações visuais). Felizmente, não foi necessário: acabei tendo uma companhia muito agradável.

Ah! Eu disse para o professor do inglês que estava com dúvida em alguns conteúdos (eu quase surtei no final de semana, porque não conseguia me lembrar de determinadas coisas da gramática) e ele foi muito solícito. Também, perguntou se podia me adicionar no Facebook, para me enviar material de estudo. Fiquei feliz. Ele é muito bonitinho.

 

Por hoje é só, sem grandes novidades.

Beijos,

SS.

 

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Auto-mutilação

Eu respiro tentando encher os pulmões de vida

Mas ainda é difícil deixar qualquer luz entrar

Ainda sinto por dentro toda a dor dessa ferida

Mas o pior é pensar que isso um dia vai cicatrizar

Eu queria manter cada corte em carne viva

A minha dor, em eterna exposição

E sair nos jornais e na televisão

Só pra te enlouquecer

Até você me pedir perdão

 

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É a primeira vez que falo de auto-mutilação aqui. Eu sei que é desagradável, mas faz (fazia?) parte da minha vida. E ignorar as coisas feias não é um bom jeito de lidar com elas.

Eu já ouvi muita merda a respeito dos meus cortes, principalmente que eu os fazia para chamar atenção. Não era isso. Havia muitos motivos para me cortar, mas nenhum deles era chamar atenção.

Depressão é uma doença que não deixa marcas visíveis na sua aparência física, mas que dilacera a sua alma. Cortando a minha pele, eu fazia o exterior combinar com o caos do meu interior: finalmente algo na minha aparência mostraria o meu sofrimento, indicaria que eu precisava de ajuda. Mas a ajuda não vinha. As pessoas desviavam os olhos e seguiam em frente.

Eu era uma estudante de medicina, e, por quase um ano, eu torci para que um dos meus professores médicos visse meus cortes e cuidasse de mim. Eu estava sozinha e sem ajuda adequada. Eu estava tão perdida.

Por vezes, eu me machucava quando sentia muita raiva de mim. Eu estava tão decepcionada comigo mesma, tão aquém das minhas expectativas que precisava me punir.

Outro motivo para me cortar era para aplacar uma dor maior, geralmente amorosa. Quando o sofrimento emocional está grande demais, é preciso fazer alguma coisa, ou eu sinto que vou explodir, esfacelar em milhões de pedacinhos. Nessas horas, eu corto minha pele, a dor física suplanta a da alma e eu me sinto inteira novamente.

Diante de um possível abandono, eu me transformo. A dor é TAMANHA, que eu faço o que for necessário para manter a pessoa por perto, inclusive chantagem emocional. Eu me humilho, eu imploro, eu mostro os cortes nos meu punhos… E não por isso estes cortes eram menos verdadeiros: a dor que me levou a fazê-los era real.

Inclusive, vale salientar: eu não consigo me cortar se eu estiver calma. Eu pressiono a lâmina contra a minha pele e dói demais – sou forçada a parar. Só consigo fazer os cortes se eu realmente estiver em crise, situação em que não sinto a dor da minha pele sendo fatiada. Por isso que não há o menor sentindo em dizer que os meus cortes foram feitos de maneira calculista, para chamar atenção: é dificílimo cortar-se na ausência de uma dor emocional muito grande.

Cortes são chamativos? Sim. São dramáticos? Sim. Pessoas com transtorno de personalidade borderline são mesmo ligeiramente dramáticas, mas nem por isso a auto-mutilação deve ser desvalorizada! Cuidado! A dor psíquica que leva alguém a se machucar é muito grande.

E, o pior, é que cortar a própria pele funciona. Por um momento, vivenciamos um branco emocional. O sofrimento, que era tão grande, é aliviado por milésimos de segundo. E essa sensação de alívio é viciante e dura pouco. Por isso vem o próximo corte. E mais outro. E outro. E logo você não consegue nem contar quantas cicatrizes tem no braço.

Por isso, o meu aviso é: não comece. Parar vai ser uma luta difícil e cheia de sofrimento.

Cortes não são a cura. São apenas um paliativo perigoso, assim como o álcool e as drogas.

 

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Balcões

Meu deus… o que eu fiz? Eu respondi duas TAGs aqui no blog! Prometo que isso não vai se repetir, foi um lapso de julgamento meu, já que essas TAGs obviamente são direcionadas a pessoas sem assunto que querem encher linguiça – o que eu estou tentando não ser.

E ainda teve aqueles dois poemas péssimos! Eu não sei fazer poesia! Eu sequer gosto de poesia! Onde eu estava com a cabeça???

 

Estou triste porque minha amiga C vai viajar para outra cidade por duas semanas. Será um período muito solitário para mim, e isso me faz desejar que existissem balcões no Brasil. Balcões em bares, sabe? Assim, eu poderia ir até o bar, sentar no balcão sozinha, pedir uma bebida e conversar com as pessoas do meu lado. Infelizmente, o Brasil está cagando para os introvertidos, e aqui só existe bar para a galerinha aproveitar. E eu não tenho uma galerinha.

 

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Novidades

Eu comecei a assistir Game of Thrones. Ainda estou na primeira temporada. É bem parecido com o livro (já tinha lido os dois primeiros). Estou gostando, mas a minha série preferida ainda é Modern Family.

Eu fui em apenas duas aulas de inglês na Cultura Inglesa e, veja só: já estou apaixonadinha pelo professor. Triste. Eu me apaixono rápido demais, e sempre por pessoas impossíveis.

Na última aula, o professor me chamou quando eu estava saindo da sala para fazer um comentário sobre o livro que eu havia levado no outro dia. Hmmmm.

 

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Playlist Borderline

1 – Habits (stay high), Tove Lo

Sobre uma garota que prefere ficar bêbada e chapada a pensar no ex que a abandonou. Story of my life.

 

2 – Criminal, Fiona Apple

Sobre uma mulher que machucou um homem e agora implora por perdão.

 

3 – I just don’t know what to do with myself, The Whit Stripes

Sobre alguém que não sabe ficar sozinho.

 

4 – Blister in the Sun, Violent Femmes

Sobre o uso de heroína e ser rejeitado por garotas.

 

5 – Tears dry on their own, Amy Winehouse

Sobre fim de relacionamentos e uma garota que sempre escolhe os caras errados.

 

6 – Summertime Sadnness, Lana Del Rey

Sobre um relacionamento eletrizante e, o vídeo, sobre suicídio.

 

7- Wrecking Ball, Miley Cyrus

Sobre atirar-se com força demais no amor.

 

8 – Don’t stop me now, Queen

Sobre aproveitar a vida de maneira intensa.

 

9 – Borderline, Madonna

Sobre um relacionamento em que uma das partes se sente prisioneira, abandonada e apaixonada pela outra, que apenas brinca com as suas emoções.

 

10 – L’excessive, Carla Bruni

Sobre alguém que gosta de viver intensamente.